google.com, pub-7873333098207459, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Evangelho da Graça : Milagres de Jesus

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Quais eram os Propósitos dos Milagres de Jesus?



Quais eram os propósitos dos milagres de Jesus? Nenhum dos milagres de Jesus na Bíblia, foram realizados sem um propósito, eles tiveram objetivos definidos. Entender isso, nos leva a conhecer mais a pessoa de Cristo, como compreender os milagres contemporâneos efetuados nas igrejas. Assim, nesse texto ressaltaremos alguns dos propósitos dos milagres de Jesus.

Manifestar a glória de Deus

Os milagres de Jesus tinham como propósito manifestar a glória de Deus. Cristo ao curar um certo paralítico, as multidões declaram: “Vendo isto, as multidões, possuídas de temor, glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens (Mt 9:8).” O próprio paralítico, ao receber a cura, “imediatamente, se levantou diante deles e, tomando o leito em que permanecera deitado, voltou para casa, glorificando a Deus (Lc 5:25).”

No Evangelho de João, diz que “deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galileia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele (Jo 2:11).” A palavra glória, significa revelação da santidade de Deus, pureza e natureza de Deus. A glória de Deus na Nova Aliança, se manifestou na pessoa de Cristo, o Filho de Deus encarnado (Jo 1:14). Portanto, uma das formas de Cristo manifestar a glória de Deus que reside nele, foi realizando milagres (Jo 11:40).     

Comprovar que Jesus é o Messias

Os milagres realizados por Cristo tinham como o propósito de testificar que Jesus é o Messias. João disse: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome (Jo 20:30,31).” Desse modo, esse era o objetivo dos milagres, foram escritos para que as pessoas leiam e creiam que Jesus é o Cristo, o Salvador.

Os discípulos estavam em alto mar e passando por tempestades (Mt 14:22-33). Na madrugada, Jesus foi ao encontro dos discípulos, porém, eles contemplando andar sobre as águas ficaram apavorados e clamaram: É um fantasma! Jesus acalmou eles dizendo: Não tenham medo! Após isso, o vento cessou e os discípulos falaram: “Verdadeiramente és Filho de Deus! (Mt14:33). Logo, lendo o Evangelho de Mateus podemos perceber que, ele tinha como intuito registrando esses milagres para os judeus cressem que Jesus é o Messias e Filho de Deus.

Jesus tem poder para perdoar pecados

Os milagres de Jesus apontava para o fato que ele tem poder para perdoar pecados. Isso, fica evidente quando Jesus cura o paralítico de Cafarnaum, ele diz: “Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (Mc 2:10).” Esse milagre mostrava que, a maior necessidade daquele homem não era uma cura física, mas restaurar o seu relacionamento com Deus, onde o pecado fazia separação entre ele e Deus (Is 59:1,2).

Os amigos do paralítico fizeram todo o esforço para levá-lo a Cristo. Jesus primeiramente priorizou o perdão dos pecados, para depois curá-lo. Muitas pessoas estão em busca de um milagre para sua vida, entretanto, muitas delas não estão dispostas a resolverem o problema maior, o pecado. Para alcançar uma cura física, a Bíblia ensina que em certa ocasião deve haver a confissão de pecados (Tg 5:14-16). 

O Messias havia chegado

Os milagres de Jesus foram sinais que o Messias havia chegado. O evangelho de Mateus relaciona os milagres de Cristo como cumprimento do capítulo messiânico de Isaías 53. Na Antiga Aliança, mostrava que os milagres realizados por Cristo, afirmava a chegada do Messias (Is 35:5, 6; Is 61:1 e 2; Lc 4:16-21). Quando Jesus acalmou a tempestade, os discípulos ficaram completamente maravilhados com o poder Jesus de dominar a natureza, a ponto de eles falarem: “Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem? (Mt 8.27).” Após o Senhor Jesus multiplicar os pães e peixes, muitos dentre as multidões reconheceram que Jesus era o profeta prometido por Moisés (Jo 6:14; Dt 18:15). Assim, os milagres operados por Cristo mostrava para aquelas pessoas que o Messias estava entre elas.

Conclusão

Os milagres de Cristo não foram operados sem um proposito definido. Jesus realizou milagres, porque tinha como o propósito de provar que ele era o Messias prometido do Antigo Testamento, como manifestar a glória de Deus e que ele tem poder para perdoar os pecados. Portanto, esse entendimento é fundamental para termos o discernimento dos milagres de Cristo e dos milagres operados em muitas igrejas com o foco que não é glorificação de Cristo.

 

Sidney Muniz 


 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

O Cego Bartimeu

 



A história do cego do Bartimeu é umas das mais conhecidas no meio evangélico. Algumas pessoas usam essa história para contradizer a bíblia, por exemplo: Mateus fala de dois cegos e não apenas de um (Mt 20.30) e Lucas fala que Jesus estava entrando em Jericó (Lc 18.35-43) e não saindo de Jericó como nos informa Marcos (Mc 10.46). Como entender essas aparentes contradições? Primeiro, nem Marcos, nem Lucas afirmam que havia apenas um cego. Segundo, havia duas cidades de Jericó.

Sua condição antes de Cristo

Alguns pontos precisa aqui destacar sobre esse homem. Primeiro, Bartimeu vivia numa cidade condenada (Mc 10.46). Jericó foi a maior fortaleza derrubada por Josué e seu exército na conquista da terra prometida. Josué fez o povo jurar e dizer: “Maldito diante do Senhor seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó; com a perda do seu primogênito lhe porá os fundamentos e, à custa do mais novo, as portas” (Js 6.26). Dessa forma, isso nos ensina que o homem sem Cristo está debaixo de condenação, ele é por natureza filho da ira.

Segundo, Bartimeu era cego e mendigo (Mc 10.46). Faltava-lhe luz nos olhos e dinheiro no bolso. Ele estava entregue às trevas e à miséria. Vivia de esmola à beira da estrada, dependendo totalmente da benevolência dos outros. Um cego não sabe para aonde vai, um mendigo não tem aonde ir. É importante observar que não há nenhuma cura de cego no Antigo Testamento; os judeus acreditavam que tal milagre era um sinal de que a era messiânica havia chegado (Is 29.18; 35.5).

Terceiro, Bartimeu não tinha nome (Mc 10.46). Bartimeu não é nome próprio, significa apenas filho de Timeu. Além disso, não tinha saúde, nem dinheiro, nem valor próprio. Certamente carregava não apenas sua capa, mas também seus traumas e suas feridas abertas.

Quarto, Bartimeu estava à margem do caminho (Mc 10.46). A multidão ia para a festa da Páscoa, mas ele não podia. A multidão celebra e cantava, ele só podia clamar por misericórdia. Ele vivia à margem da vida, da paz, da felicidade.

Sua decisão por Cristo

Bartimeu buscou Jesus na hora certa (Mc 10,47). Esta foi a última vez que Jesus passou por Jericó, a última vez que Jesus foi a Jerusalém. Foi a última oportunidade dele. Não há nada mais perigoso do que perder uma oportunidade. As oportunidades vêm e vão. Se não os pegarmos, elas irão embora para sempre. Bartimeu com sua cegueira enxergou mais que os sacerdotes, escribas e fariseus. Estes tinham olhos, mas não tinham discernimento. Bartimeu estava cego, mas podia ver com os olhos de sua alma.

Ele buscou a Jesus com perseverança (Mc 10.48). A multidão tentou o calar, mas ele clamava ainda mais alto: “Filho de Davi, tem compaixão de mim”. A multidão foi obstáculo para Zaqueu ver a Jesus e estava sendo obstáculo para Bartimeu falar a Jesus. Nem sempre a voz do povo é a voz de Deus, e, geralmente, não é. Aqueles que tentam silenciar a voz do mendigo faziam-no pensando que Jesus estava ocupado demais para preocupar-se em dar atenção a um indigente.

Buscou a Jesus com humildade (Mc 10.47,48). Bartimeu sabia que não merecia favor algum, e apela apenas para a misericórdia de Deus. Ele não pede justiça, mas misericórdia. Ele não reivindica direitos, mas pede compaixão.

Buscou a Jesus com desprendimento (Mc 10.50). Logo que Jesus mandou chamá-lo, ele lançou de si a capa e num salto foi ter com Jesus. Há muitos que escutam o chamado de Jesus, mas dizem: “depois que terminar isso ou aquilo”. Bartimeu demonstrou pressa. Duas coisas é importante destacar:

Primeiro lugar, Bartimeu desfez-se da única coisa preciosa que possuía. Sua capa era sua roupa, sua proteção, sua cama. Segundo, Bartimeu levantou-se de um salto para ir a Jesus. Os cegos não pulam, elas apalpam. Ele transcendeu o pensamento dos cegos.

Foi a Jesus com objetividade (Mc 10.51). Quando Bartimeu chegou à presença de Jesus, ele lhe fez uma pergunta pessoal: “Que queres que eu te faça?”. Ele podia pedir uma esmola, uma ajuda, mas ele foi direto ao ponto principal: “Mestre, que eu torne a ver”.

Sua nova vida em Cristo

Bartimeu foi salvo por Cristo (Mc 10.52). Aquela era uma caminhada decisiva para Jesus. Ele tinha pressa e determinação. O clamor de um mendigo o fez parar. Nesse mundo onde tudo se move, o Filho de Davi pára para ouvir o seu clamor. Ele pára para atender-lhe a sua voz.

Ele foi curado por Cristo (Mc 10.52). Jesus não apenas perdoa pecados e salva a alma, mas também cura e redime o corpo. Bartimeu teve seus olhos abertos. Ele saiu de uma cegueira completa para uma visão completa. Num momento, cegueira total. No seguinte, visão intacta. A cura foi total, imediata e definitiva.

Bartimeu foi guiado por Cristo (Mc 10.52). Ele “seguia a Jesus por onde fosse”, demonstrou gratidão e provas de sua conversão. Ele não queria apenas a bênção, mas, sobretudo, o abençoador.

Conclusão

Portanto, esse texto tem algumas lições a nos ensinar. Primeiro, devemos aproveitar as oportunidades que Deus coloca diante de nós. Segundo, devemos perseverar diante das dificuldades da vida. Terceiro, Cristo espera uma renúncia daqueles que almejam segui-lo. 

 

Sidney Muniz


segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

O Leproso Curado



O leproso curado é um dos grandes milagres operado por Jesus apresentado nos Evangelhos. Apesar de ser acometido por uma doença temida na época, esse homem não perdeu a esperança, foi a Jesus com confiança e recebeu o seu milagre.

Quem foi esse homem? O que ele fez? E como ele recebeu a sua cura? Essas são umas das perguntas que esse texto procurará responder.

Quem foi ele

Podemos destacar quatro pontos sobre esse homem. Primeiro, estava doente de lepra. Essa era uma doença muito temida na época de Jesus, seria como a ADIS atualmente. Segundo, tinha uma impureza contagiosa. Na Antiga Aliança, Deus estabeleceu várias restrições quanto a lepra, tudo para o povo de Deus ser livre desse mal, percebemos isso no capítulo 13 e 14 de Levítico. Terceiro, separado da comunidade. Deveria ser duro para alguém nessas condições, principalmente se tivesse filhos, tinha que deixar os filhos e viver uma vida separada da comunidade (Lv 13.46). Quarto, tinha uma doença incurável e sem esperança dos homens. Nada estava fácil para esse homem, tudo o levava para a morte. Portanto, essa era a situação em que esse homem vivia.

O que ele fez    

E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me (Mt 8.2).

Após abordarmos a situação em que aquele homem se encontrava, agora veremos o que ele fez. Primeiramente, ele foi a Jesus com confiança. Perceba, esse homem estava com uma doença incurável, a sociedade na época praticamente rejeitava pessoas nessas condições que chegavam até ao ponto de apedrejar. Todavia, ele sabia que Jesus não faria isso e confiou inteiramente em Jesus. Segundo, ele foi a Jesus com reverência. O texto ressalta que tendo se aproximado, adorou-o, isso demonstra que Jesus era o próprio Messias e o Deus encarnado. Terceiro, ele foi a Jesus com humildade. Percebemos a sua humildade quando ele diz: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me”. Em outras palavras: “Senhor, se tu decidires que eu fique leproso pelo resto da minha vida, aceitarei e obedecerei a tua palavra”. Que humildade esse homem tinha! Por último, ele foi a Jesus com fé. Acreditou no poder de Jesus para cura-lo do seu mal. Dessa forma, esse homem se aproximou de Jesus.

O que ele recebeu

E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra (Mt 8.3).

Após aquele homem aproxima-se de Jesus, veremos o que ele recebeu de Jesus. A princípio, ele recebeu o toque de Jesus. A vida dele mudou completamente depois de Jesus o tocar, Cristo o reintegrou na sociedade. Além disso, ele recebeu a palavra de Jesus. Talvez esse homem recebeu muitas palavras sem esperança, mas a palavra de Jesus a liberta do mal que o afligia e traz de volta a alegria para a sua alma. Finalmente, o poder de Jesus. Cristo operou poderosamente naquele homem, libertando-o de uma doença incurável para a medicina da época. Assim, esse homem recebeu tudo isso da parte de Jesus.

Conclusão

Portanto, o que podemos aprender com essa história e quais princípios práticos devemos colocar para a vida cristã? Primeiro, a lepra é um símbolo do pecado. O pecado distancia o homem de Deus, o salário do pecado é a morte (Rm 6.23), isto é, morte eterna. É ter uma vida completamente separada de Deus e viver eternamente na perdição. Segundo, Cristo a única solução. Somente Jesus pode libertar o homem de uma vida de pecado, somente Ele pode transformar a vida de uma pessoa sem Deus, Cristo é o único remédio para o pecado. Confiemos em Cristo Jesus.

Solus Christus

 

Sidney Muniz 

quinta-feira, 9 de julho de 2020

A Cura do Homem Hidrópico no Sábado




Lucas registra a cura de um homem hidrópico realizado por Jesus no sábado. Um dos principais dos fariseus convida Jesus a sua casa para comer pão, imediatamente aparece um homem enfermo com hidropisia, porém, o aparecimento desse homem era mais uma tentativa de os fariseus acusarem Jesus de quebrar o sábado.

Nesse presente texto, queremos fazer uma síntese de como Jesus agiu diante dos seus opositores e os princípios práticos contidos na passagem para a vida cristã.

Jesus na casa do fariseu

Aconteceu que, ao entrar ele num sábado na casa de um dos principais fariseus para comer pão, eis que o estavam observando (Lc 14.1).

Jesus foi convidado por um dos principais fariseu para comer no sábado na sua casa. Compartilhar refeições era algo importante na vida dos judeus e tonou-se uma parte importante da igreja primitiva (At 2.46). No Oriente, fazer as refeições juntos são um símbolo de amizade e um sinal de compromisso uns com os outros[1].  

Os fariseus viam Jesus como alguém que quebrava a lei, por curar no sábado, portanto trabalhava, e quebrava a lei. Segundo Barklay, “a lei tinha suas regras meticulosas e detalhadas a respeito das refeições no sábado. É obvio, não se podia cozinhar em tal dia, já que isso teria sido trabalhar. Devia-se cozinhar na sexta-feira; e se era necessário manter a comida quente, devia faze-lhe em tal forma que não cozinhasse mais”[2]. Dessa forma, “os fariseus e escribas” consideravam essas regras como religião verdadeira.

Lucas destaca que eles estavam observando Jesus, talvez para detectar qualquer violação da observância do sábado. Sobre isso, Henry comenta: 

“Este fariseu, como outros, parece que teve má intenção ao receber Jesus em sua casa, mas o nosso Senhor isso não lhe impedia de curar um homem, embora soubesse que suscitaria um murmúrio por fazê-lo no dia do repouso”[3]

O proceder de Jesus ensina-nos a prudência como ele se comportava diante de seus inimigos. Geralmente, as pessoas tendem a perder a paciência diante disso, mas Jesus permanecia sereno.

Jesus cura o homem hidrópico no sábado

Ora, diante dele se achava um homem hidrópico. Então, Jesus, dirigindo-se aos intérpretes da Lei e aos fariseus, perguntou-lhes: É ou não é lícito curar no sábado? Eles, porém, nada disseram. E, tomando-o, o curou e o despediu (Lc 14.2-4).

Nesse trecho, podemos destacar três pontos nessa passagem. Primeiro, Jesus diante de um homem hidrópico. Hidrópico ou hidropisia é uma doença que faz com que o corpo de uma pessoa inche bastante[4]. É curioso o fato de esse homem aparecer na casa do anfitrião, talvez os fariseus estavam preparando uma cilada a Jesus, por isso a “observação” (Lc 14.1). Segundo, a defesa de Jesus curar no sábado. Os escribas e fariseus consideravam-se como autoridades da lei, eles esperavam que Jesus curando esse homem no sábado caísse em seu poder. Diante disso, Jesus transferiu a responsabilidade a eles através de uma pergunta: “É ou não é lícito curar no sábado?” A lei condenava tais atos de misericórdia? O preconceito deles e propósitos malignos os impediram de admitir. Terceiro, Jesus curou o homem. Jesus estava consciente que o homem hidrópico não era partidário daquela trama dos fariseus, porém um inocente sofredor que estavam sendo usado pelo anfitrião da casa. Segundo Beacon, “o Mestre, sábio e bondoso como sempre, o curou e o despediu”[5]. Dessa forma, fica evidente a bondade de Cristo diante do problema daquele homem e o legalismo dos escribas e fariseus.

Jesus como intérprete da lei

A seguir, lhes perguntou: Qual de vós, se o filho ou o boi cair num poço, não o tirará logo, mesmo em dia de sábado? A isto nada puderam responder (Lc 14.5,6).

Jesus faz uma pergunta que os fariseus não foram capazes de responder. Eles sabiam que Jesus estava certo ao curar no sábado, na lei era permitido resgatar um animal quando caia em algum poço – algo que era muito comum na Palestina e muitas vezes causavam acidentes (Ex 21.33). Esses doutores da lei causavam mais preconceitos com suas doutrinas cheias de tradições humanas do que agir com misericórdia, levando a desconsiderar as necessidades dos seres humanos na época. Portanto, Jesus como intérprete da lei deixou claro que não estava quebrando o quarto mandamento, mas cumprindo, a lei não proibia ajudar o próximo. 

O texto deixa claro que nada a isto eles puderam responder (Vv 4). Jesus restaurou a saúde do homem que estava com hidropisia e silenciou os seus inimigos. Eles não podiam responder porque não tinham resposta alguma que incriminasse Jesus. Depois da cura, Jesus abriu uma brecha entre eles, aumentando assim a determinação daqueles homens de destruí-lo. Assim, podemos aprender que o legalismo leva as pessoas a obedecer mais às tradições humanas, Jesus se opôs a isso e nós devemos semelhantemente.

Conclusão

O que podemos aprender com essa passagem? Primeiro, as pessoas estão mais preocupadas em salvar animais que os seres humanos. Segundo, a prudência de Jesus perante os seus inimigos. Terceiro, o quarto mandamento foi um dia criado para praticar boas ações ao próximo. Quarto, o legalismo torna-nos insensíveis diante das necessidades das pessoas.    

 

Sidney Muniz

 

Notas:



[1] Comentário de Warren W. Wierbe - Conciso

[2] Comentário do N.T Barclay

[3] Comentário Bíblico de Matthew Henry

[4] Comentário da Bíblia Shedd

[5] Comentário Bíblico Beacon



quinta-feira, 5 de março de 2020

A cura da Mulher Encurvada




Lucas é o único dos Evangelhos a registrar a cura de uma mulher encurvada. Apesar de passar dezoito anos com uma enfermidade causada por um espírito maligno, ela encontrou alivio para seus problemas na pessoa de Cristo. É importante observamos como ela venceu suas dificuldades e o porquê de Jesus cura-la. Em síntese, essas são as partes que serão analisadas nessa passagem.

A cura da mulher encurvada

“Numa sábado, Jesus estava ensinando numa das sinagoga. E chegou ali uma mulher possuída de um espirito de enfermidade, havia já dezoito anos; ela andava encurvada, sem poder se endireitar de modo nenhum. Ao vê-la, Jesus a chamou e lhe disse: Mulher, você está livre da sua enfermidade. E, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus” (Lc 13.10-13).

Quais os fatos que ocasionaram a cura da mulher encurvada? Primeiramente, Jesus estava na sinagoga ensinando as Escrituras. Esse local era uma espécie de igreja judaica, “originou-se entre os judeus exilados da Babilônia pela necessidade que sentiam ao estar longe do Templo, de orar e se edificarem em comum”. Segundo, pela dificuldade em que encontrava-se. Lucas descreve que a mulher era “possuída de um espirito de enfermidade”, dezoito anos convivia com essa ação maligna que lhe causava dor e sem poder se endireitar. Triste era a sua situação. Terceiro, Jesus cura a sua moléstia. Cristo ao vê-la na sinagoga disse: “Mulher, você está livre da sua enfermidade. E, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus” (Vv12,13). É interessante notarmos que, “a mulher não pediu para ser curada”, Jesus que tomou a iniciativa – diferente de outros milagres encontrado nos Evangelhos. Quando Cristo disse “está livre da sua enfermidade”, ele estava indicando que a “sua libertação era um fato consumado”. Assim, esses foram os fatos que desencadearam a cura daquela mulher.

A indignação do chefe da sinagoga

“O chefe da sinagoga, indignado por ver que Jesus curava no sábado, disse a multidão: Há seis dias em que se deve trabalhar. Venham nesses dias para serem curados, mas não no sábado” (Lc 13.14,15).

O chefe da sinagoga ficou completamente indignado pelo fato de Jesus curar no sábado. O chefe da sinagoga era o encarregado da organização do culto, por escolher pessoas que fariam a leitura da Escritura ou conduziria as orações. O motivo da sua indignação era que curas não poderiam ser efetuadas no sábado, mas em outros dias da semana. Dessa forma, o líder daquela sinagoga passava um pensamento extremado sobre a guarda do sábado, pensamento que a lei e os profetas nunca ensinaram, nunca proibiram uma cura no dia do descanso, isso era apenas conceitos humanos.

A resposta de Jesus ao chefe da sinagoga

Disse-lhe, porém, o Senhor: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura, no sábado, o seu boi ou seu jumento, para leva-lo a beber? Por que motivo não se deveria livrar deste cativeiro, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos? (Lc 13.15,16).

Jesus refuta as ideias do líder da sinagoga. A princípio, Jesus revela a sua hipocrisia. No sábado Jesus afirma que eles desprendem os animais para beber ou lavá-lo, por que não poderia libertar aquele mulher que sofria a dezoito anos com uma enfermidade maligna? Com isso, Jesus deixa claro que ele estava mais preocupado com a tradição do que com a restauração da mulher. Além disso, Jesus demonstrava que o sábado era um dia para se fazer o bem. Entretanto, a liderança judaica estava colocando esse dia como um peso para as pessoas. Portanto, Jesus refuta o líder da sinagoga mostrando sua hipocrisia e contradições sobre o dia do descanso.

A alegria do povo

Tendo ele dito estas palavras, todos os seus adversários se envergonharam. Entretanto, o povo se alegrava por todos os gloriosos feitos que Jesus realizava (Lc 13.17).

Por que o povo se alegrava em Cristo? Primeiramente, ao ouvir as palavras de Cristo contradizendo o pensamento do chefe da sinagoga sobre o quarto mandamento e refutando sua hipocrisia. Todos os seus adversários se envergonharam, porque sabiam que estavam fundamentados nas tradições, em vez de estarem exercendo misericórdia com o próximo. Será que você leitor se encontra em semelhante situação? Obedecendo mais preceitos religiosos criados por homens e esquecendo de exercer misericórdia para com próximo? Segundo, pelos feitos que Jesus realizava. Uma das razões da alegria estava nos milagres realizado por Cristo, o povo contemplava as profecias messiânicas sendo cumpridas na íntegra, eles encontravam em Cristo esperança para os seus problemas. Logo, esses eram um dos motivos da alegria do povo.  

Conclusão

Portanto, concluiremos essa passagem bíblica com três reflexões de Charles Simeon sobre este episódio:

“Primeira, quanta cegueira e hipocrisia existem no coração humano! Segundo, como é desejável abraçar cada oportunidade de esperar em Deus! – esta mulher recebeu a cura porque participava fielmente das reuniões na sinagoga. Terceiro, com que conforto e esperança podemos confiar os nossos problemas a Jesus!”

Sidney Muniz




[i] Bíblia de Estudo de Genebra
Pequena Enciclopédia Bíblica – Orlando Boyer
Comentário Bíblico – Beacon

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

A Mulher do Fluxo de Sangue




Em Marcos 5.24-34, temos o relato de uma mulher que tinha um fluxo de sangue. O texto apresenta suas decepções, esperança e vitória. Ela realmente teve uma vitória alcançada pela fé. Portanto, queremos nesse texto analisar como essa mulher venceu todas as dificuldades presentes em sua vida.

Suas decepções

Estava ali certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia. Ela havia padecido muito nas mãos de vários médicos e gastado tudo o que tinha, sem, contudo, melhorar de saúde; pelo contrário, piorava cada vez mais (Mc 5.25,26).

A passagem apresenta algumas das decepções que aquela mulher enfrentou. Primeiro, ela mulher estava condenada à morte. Marcos relata que ela “padeceu nas mãos de vários médicos” (Vv 26). Segundo, teve seus recursos humanos totalmente falidos. “Tendo despedido tudo quanto possuía” (Vv 26). Terceiro, sem estimulo para viver e lutar. “Sem, contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, piorava cada vez mais” (Vv 26). Dessa forma, percebemos que muitas eram as dificuldades enfrentadas por essa mulher. Não é nada fácil conviver com uma hemorragia por doze anos.

Última esperança

Tendo ouvido a fama de Jesus, a mulher chegou por trás, no meio da multidão, e tocou na capa dele. Porque dizia: Se eu apenas tocar na roupa dele, ficarei curada (Mc 5.27,28).

Parecia que estava tudo perdido para aquela mulher, teve sua esperança frustrada diante dos médicos e de seus recursos econômicos. Mas apareceu “uma última esperança”, como isso aconteceu? Primeiro, ela ouviu falar de Jesus. Talvez teria ouvido que Cristo tivesse curado muitos com enfermidades incuráveis e isso fez a mesma enxergar uma luz no final do túnel. Segundo, foi ao encontro de Jesus. Essa era uma oportunidade única, não poderia deixar escapar de suas mãos, isso nos ensina que devemos aproveitar cada oportunidade que o Senhor nos conceder. Terceiro, deparou-se com obstáculos a sua fé. A multidão compactada impedia sua ida a Jesus. Além disso, a opinião pública (que pensarão de mim?). Vale ressaltar que, essa mulher perante a sociedade da época era considerada imunda (Lv 15.25-27). Finalmente, o desanimo (pela dificuldade de chegar até Jesus. Assim, a chama da esperança acendeu no coração daquela mulher quando ouviu falar de Cristo Jesus.

O despertar da sua fé veio quando ela pensou consigo: “Se eu apenas tocar na sua roupa, ficarei curada” (Vv 28). Outrora, o pensamento dela era mais de “desânimo, morte e sem estimulo para viver”. Mas quando seu pensamento foi mudado, sua fé começou a florescer em seu coração. Se quisermos mudança em nossas vidas, precisamos começar pela mente, é por meio dela que vem a transformação. Como disse o apóstolo Paulo: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2). Paulo também disse: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o pensamento de vocês” (Fp 4.8). Dessa forma, fica evidente que a mudança dela veio por intermédio da mente.

Sua vitória

Tendo ouvido a fama de Jesus, a mulher chegou por trás, no meio da multidão, e tocou na capa dele (Mc 5.27).

Como aquela mulher alcançou sua vitória? Primeiramente, ela colocou sua fé em ação (tocou em Jesus). Tudo começou com a mudança na mente, depois veio a ação, isto é, a fé começa na mente para depois manifesta-se em ação. A prova disso está no fato dela ter tocado nas vestes de Jesus – vale destacar que nas vestes dos judeus tinha uma franja azul, como lembrança de submissão aos mandamentos de Deus (Nm 15.38,39). Talvez o toque dessa mulher demonstra-se total submissão a Cristo. Além disso, a sua fé foi recompensada. O texto enfatiza que logo após tocar em Jesus, “ela sentiu no corpo que estava curada daquele mal” (Vv 29). Por fim, voltou ao normal. A passagem menciona que Jesus perguntou quem o tinha tocado, os discípulos estranharam a pergunta de Jesus e responderam que toda a multidão o tocava. Todavia, Jesus não estava falando de um toque físico, mas um toque de fé. A mulher veio e prostrou-se diante de Jesus, contou toda a verdade. A pergunta de Jesus tinha como a finalidade tornar pública a fé daquela mulher. Talvez ela fosse rejeitada pela a sociedade, “o milagre de Jesus trouxe justamente dignidade para aquela mulher, Jesus restaurou sua posição na sociedade”. Assim, essa foi a sua vitória, colocou a fé em ação e foi recompensada por Cristo. Esse exemplo nos ensina que a fé além de poderosa, pode resolver todos os nossos problemas.

Conclusão

Essa passagem têm muitas lições a nos ensinar sobre fé. A primeira delas é que na caminhada cristã enfrentaremos decepções, como: desanimo, recursos humanos muita das vezes falidos, médicos que não conseguirão resolver nossos problemas em alguns casos e outros. Por outro lado, precisamos entender que a nossa esperança deve estar sempre em Cristo. Nem tudo o dinheiro pode resolver, mas o nosso Cristo pode todas as coisas. Por fim, a fé sempre nos leva a vitória. Começando pela mente e unindo-se com a ação, como disse o autor de Hebreus: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que recompensa os que o buscam” (Hb 11.6).

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

A cura do filho de um Oficial do Rei



O apóstolo João é um único no seu Evangelho que registra a cura do filho de um oficial do rei. Há diferença entre a cura do filho do oficial do rei e a cura do servo do centurião (Mt 8.5-13). Enquanto que João registra que o oficial rogava pelo filho, o centurião rogava pelo seu servo. Ambos exerceram fé na pessoa de Cristo e receberam o milagre dele.

Queremos destacar alguns pontos nessa passagem que contribuirão para a nossa vida cristã.

Jesus dirigiu-se a Caná da Galileia

Foi, então, outra vez a Caná da Galileia, onde da água fizera vinho. Ora, havia um oficial do rei, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum. Quando soube que Jesus tinha vindo da Judeia para a Galileia, foi ter com ele, e lhe rogou que descesse e lhe curasse o filho; pois estava à morte (Jo 4.46,47).

Podemos analisar o trecho em duas partes. Primeiro, Jesus retorna a Caná da Galileia. Era uma cidade de Aser, à distância de 16 km do Mediterrâneo. Segundo, havia um oficial do rei. O texto não menciona o nome desse homem, é provável que fosse um oficial a serviço de Herodes Antipas, tetrarca da Galileia (Mt 14.1-4; Lc 23.7). O mesmo tinha um filho doente, estava à beira da morte. Terceiro, ouviu falar de Jesus. Talvez ele tenha procurado em vários médicos a cura para o seu filho, mas não encontrou, sua última saída era Jesus. Quarto, roga a Jesus que curasse seu filho. Aqui podemos aprender o valor e o poder que a intercessão tem. Assim, destaca-se aqui a ação do oficial em buscar a cura de seu filho.

O diálogo de Jesus com o oficial

Então Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e prodígios, de modo algum crereis. Rogou-lhe o oficial: Senhor, desce antes que meu filho morra. Respondeu-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe dissera, e partiu (Jo 4.48-50).

Jesus responde: “se não virem os sinais e prodígios, de modo algum crereis”. Qual era o objetivo de Cristo ao responder aquele homem dessa forma? Jesus era ciente da fé superficial do oficial e da multidão em volta, fé essa que dependia de vista (Jo 20.29). Jesus estava testando a fé dele. Além disso, ele “roga a Jesus de novo”. Quando oramos e não somos respondidos, é porque precisamos perseverar. Jesus disse: “Todo aquele que pede recebe; o que busca encontra; a quem bate, abrir-se-lhe-á” (Mt 7.7,8). Depois disso, Jesus declara: “Vai, o teu filho vive”. Esta foi uma expressão de poder para curar e não meramente uma profecia de que ele se recuperaria. Por causa da afirmação de Cristo, aquele homem creu na palavra de Jesus e partiu.   
   
A cura do filho do oficial

Quando ele já ia descendo, saíram-lhe ao encontro os seus servos, e lhe disseram que seu filho vivia. Perguntou-lhes, pois, a que hora começara a melhorar; ao que lhe disseram: Ontem à hora sétima a febre o deixou (Jo 4.51,52).

Os servos do oficial anunciaram que seu filho vivia. Isso foi uma notícia de esperança, antes seu filho estava perto da morte, agora se encontrava restaurado. Além disso, o oficial pergunta de seus servos que horas seu filho tinha sido curado. Segundo Wiersbe, “isso indicava que ele permaneceu um dia inteiro em Caná, pois o trajeto de volta para sua casa não levaria mais de três ou quatros horas. O menino curou-se às 13 horas, e no dia seguinte o pai chegou em casa. Isso prova que teve fé verdadeira na palavra de Cristo, pois não apressou em ir para casa a fim de ver o que acontecera. Aparentemente, o oficial ficou em Caná cuidou de alguns negócios e foi para casa no dia seguinte. Ele apenas perguntou a que horas isso aconteceu e verificou que foi no momento em que Cristo disse a palavra salvadora”.

Portanto, resultado disso: “Toda a sua família creu em Cristo”. Sabemos que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, a palavra de Cristo (Rm 10.17). 

Conclusão

A parte prática que podemos aprender dessa passagem entre tantas. Primeiro, o valor da intercessão. Aquele pai rogou a Cristo com perseverança pelo seu filho, assim devemos imita-lo concernente aos nossos familiares. Segundo, aquele homem creu na palavra de Cristo. E por ele crê, toda sua família se converteu a Cristo. Paulo disse para o carcereiro e também a nós: “Crê no Senhor Jesus e você será salvo – você e toda a sua casa (At 16.31). Terceiro, sinais e prodígios. As pessoas na época de Jesus queriam ver sinais e vivenciar prodígios, devemos lembrar que satanás pode realizar milagres com a finalidade de enganar os incautos (2Ts 2.9,10). Dessa forma, a vida cristã não fundamenta-se em sentimentos, sonhos, visões ou qualquer outra evidência carnal, porém, fé na Palavra de Deus.   

Notas:

Pequena Enciclopédia Bíblica – Orlando Boyer.
Bíblia de Estudo de Genebra.
Bíblia de Estudo Shedd.
Comentário de Warren W. Wiersbe – Conciso


Sidney Muniz 


terça-feira, 17 de dezembro de 2019

O Homem da mão Mirrada




Em Marcos 3.1-6 encontramos uma controvérsia religiosa de Jesus com os fariseus por causa do dia de sábado, os fariseus entendiam que Jesus estava violando o quarto mandamento, porém, Jesus ao curar estava mostrando que o sábado foi feito para fazer o bem. Antes disso, Jesus já havia debatido com eles sobre o dia do descanso (Mc 2.23-28).

Nesse texto, queremos analisar como se deu o debate e as lições práticas que podemos aprender dele.

Jesus na sinagoga

De novo, Jesus entrou na sinagoga. E estava ali um homem que tinha uma das mãos ressequida (Mc 3.1).

Primeiramente, o texto começa com Jesus entrando na sinagoga. A sinagoga era uma espécie de igreja. Ela teve sua origem quando Israel estava no exilio por desobedecer a Deus – alguns consideram que Esdras deu origem as sinagogas. Onde estivessem três ou mais pessoas, ali estava uma sinagoga segundo os judeus. Eles se reuniam nesse lugar para adorar a Deus, orar e ouvir a exposição do Antigo Testamento. Segundo, Lucas registra um detalhe que não encontramos no Evangelho de Marcos, que Jesus ensinava na sinagoga. Terceiro, o homem da mão ressequida. Algumas versões menciona mão aleijada, mirrada e atrofiada. Lucas destaca que era a mão direita dele que se encontrava enferma. Logo, não sabemos o que de fato aconteceu com esse homem, se ele nasceu com essa doença ou se foi acidente de trabalho.

Os fariseus observam Jesus  

E estavam observando Jesus para ver se curaria aquele homem no sábado, a fim de o acusarem (Mc 3.2).

Os fariseus observavam se Jesus curaria no sábado. Aqueles homens não estavam no templo para adorar a Deus, mas analisando se Jesus efetuasse uma cura naquela dia. Além disso, o objetivo deles ali era justamente acusar a Cristo. Muitos cristãos caem no mesmo erro dos fariseus, vão ao culto somente para criticar, nada está bom para essas pessoas. Não apresentam seu culto a Deus de forma sincera e verdadeira, mas estão somente a analisar o tamanho da roupa, cabelos, brincos e etc. Tudo isso não passa de um mero legalismo.

Jesus chama o homem da mão ressequida

Jesus disse ao homem da mão ressequida: Venha aqui para o meio! (Mc 3.3).

Lucas afirma que Jesus conhecia os pensamentos dos fariseus. Jesus sabia muito bem o que se passava na mente deles. O desejo de acusa-lo, caso ele curasse o homem no sábado. Ainda assim, Jesus chama o homem para o meio. Cristo o coloca justamente no meio de uma controvérsia religiosa para ensinar sobre a verdade do sábado. Talvez você não se encontre a semelhante modo, contudo se encontra em meios as tempestades da vida, Jesus disse que no mundo teremos aflições (Jo 16.33). Assim, isso nos ensina que sempre que Deus nos colocar em qualquer situação, é para nos ensinar algo.

A pergunta de Jesus 

Então lhes perguntou: É lícito nos sábados fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixar morrer? Mas eles ficaram em silêncio (Mc 3.4).

Marcos menciona no texto “salvar uma vida ou deixar morrer”, por outro lado Mateus destaca que “o homem que tem uma ovelha, num sábado não deixará cair numa cova” (Mt 12.10-13). Aqui podemos perceber que Jesus faz uma pergunta aos fariseus, e o porquê ele fez essa pergunta? Porque os fariseus acreditavam que era permitido salvar qualquer animal no sábado, entretanto, o homem somente em casos de emergência – fica mais do que evidente que na teologia farisaica, os animais tinham mais privilégios que os homens. A pergunta de Jesus deixa-os em silêncio, sem condição para uma resposta. Outro aspecto a ser abordado, “Jesus ensinou que o sábado foi feito para fazer o bem”. Dessa forma, Cristo derrubou todo ensino legalista sobre o sábado.  

O homem da mão ressequida restaurado  

Então Jesus, olhando em volta, indignado e entristecido com a dureza de coração daquelas pessoas, disse ao homem: Estenda a mão. O homem estendeu a mão, e ela lhe foi restaurada (Mc 3.5).

Primeiramente Jesus ficou indignado e condoído com a dureza de coração dos fariseus. Esses homens não queriam o bem do enfermo e nem acreditavam em Jesus como Messias prometido. Segundo, a mão do homem é restaurada pelo poder de Jesus. Sabemos que a fé é como uma “mão”, e é através dela que recebemos as bênçãos de Deus para a nossa vida. Muitas vezes nossa fé está como a mão daquela homem, atrofiada pelos desânimos, falta de esperança e sem perspectiva de vida. Assim como Jesus restaurou a mão daquele homem, ele é poderoso para restaurar a nossa fé. Portanto, Jesus demonstra sua misericórdia e seu poder ao restaurar aquele homem.

A conspiração dos fariseus contra Jesus

Os fariseus saíram dali e, com os herodianos, logo começaram a conspirar contra Jesus, procurando ver como o matariam (Mc 3.6).

Aqui nós temos nessa parte do texto, a conspiração dos fariseus contra Jesus. Eles tentaram isso com certeza por não conseguirem responder a pergunta que Jesus os fez, foram completamente refutados por Cristo. Com isso, tentam procurar uma forma de matar Jesus – eles eram inimigos da obra de Deus. Se juntam com os herodianos que, eram uma seita mundana e que lutava para manter a dinastia de Herodes. Jesus ao fazer a obra de Deus, enfrentou várias oposições, isto é, muitos inimigos. Assim, se queremos fazer a obra de Deus, estejamos cientes disso, há muitas pedras no caminho.

Conclusão   

Portanto, aprendemos aqui claramente como os fariseus eram duros de coração para não crerem no poder de Deus, o legalismo os levou a tudo isso. Além disso, a passagem nos ensina a importância do dia do descanso. Sobre a nova aliança, não guardamos mais o sábado, mas o domingo, por causa da morte e ressureição de Cristo no primeiro dia da semana. “Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus descansou das suas (Hb 4.10). Por fim, Jesus demonstra sua misericórdia ao restaurar o homem da mão ressequida.

Notas:

Pequena Enciclopédia Bíblica – Orlando Boyer 

Sidney Muniz



terça-feira, 10 de dezembro de 2019

A Fé do Centurião



Em Mateus 8.5-13, narra a cura do servo de um centurião. Esse homem movido de compaixão pelo seu servo, vai até Jesus e pede ao mestre para curá-lo. Jesus fica admirado com a fé do centurião. Mas a final de contas, o que chamou tanta atenção de Jesus nesse homem? Nesse texto queremos analisar a fé do centurião, o porquê de Jesus ficar tão admirado com a fé daquele indivíduo.  

O centurião se aproxima de Jesus

Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, um centurião aproximou-se dele, implorando: Senhor, o meu servo está na minha casa, de cama, paralítico, sofrendo horrivelmente (Mt 8.5,6).

Há alguns pontos importantes a destacar nesse texto. Primeiro, Jesus entra em Cafarnaum. Esse lugar, era o centro das missões de Jesus, por isso ele estava sempre retornando a esse local. Segundo, o que era um centurião? O centurião era chefe de cem homens na milícia romana. Terceiro, o servo do centurião. Esse homem se encontrava enfermo e sofrendo horrivelmente, grande era a dificuldade dele. Quarto, a oração do centurião. O texto menciona que ele se aproxima de Jesus e implora pela a cura de seu servo. Esse trecho, nos ensina a importância da oração para a vida cristã, a solução para os nossos problemas, está na oração.

A resposta de Jesus ao centurião

Jesus disse: Eu vou lá curá-lo (Mt 8.7).

Por que Jesus decidiu curar aquele servo? Primeiramente, ele teve reverência diante de Jesus. Ele reconheceu Jesus como “Senhor”. Se queremos ser bem sucedidos em nossas orações, é importante a reverência nela. Além disso, o amor do centurião pelo o seu servo. Certamente, isso foi crucial para que Jesus decidisse curar aquele homem que estava sofrendo. O apóstolo João disse: “E está é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1Jo 5.14). Portanto, quando termos reverência e amor ao próximo, Jesus responde nossas petições.

A resposta do centurião a Jesus

Mas o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de recebe-lo em minha casa. Mas apenas mande com uma palavra, e o meu servo será curado. Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: “Vá”, e ele vai; e a outro: “Venha”, e ele vem; e ao meu servo: “Faça isto”, e ele o faz (Mt 8.8,9).

Jesus decide curar o servo do centurião após saber da sua situação. De imediato, é surpreendido com as palavras do centurião, palavras essas que podemos destacar três atitudes daquele homem:

Primeiro, a sua humildade. Ele sentiu-se indigno de receber Jesus em sua casa, isto é, não era digno de receber a Cristo. Segundo, a sua fé. Aquele homem tinha uma fé extraordinária, pediu que Jesus mandasse “apenas uma palavra e seu servo seria curado”. Terceiro, a sua autoridade. Esse homem revela a sua autoridade a Jesus, mostrando que tinha homens as suas ordens. Apesar disso, demonstra total submissão e reconhecimento da autoridade de Jesus. Dessa forma, o centurião era um homem de muita humildade, fé e submissão, que possamos seguir esse grande exemplo.

Jesus admirou-se da fé do centurião

Ao ouvir isso, Jesus ficou admirado e disse aos que o acompanhavam: Em verdade lhes digo que nem mesmo em Israel encontrei fé como esta. Digo a vocês que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos Céus. Mas os filhos da Reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes (Mt 8.10-12).

Jesus fica completamente admirado com a fé do centurião. Mas o que o levou a isso? A fé daquele homem era tanta, porque estava misturada com a humildade, amor ao próximo e submissão – se queremos uma fé como essa, é necessário que ela tenha esses ingredientes. Tudo isso, deixou Cristo admirado. Além disso, Jesus usa a fé desse homem como exemplo para os israelitas, que não acreditavam em Jesus como Messias. A nação de Israel era o povo escolhido por Deus para ser a sua propriedade peculiar, enquanto que o centurião era um gentio que havia crido em Cristo como Senhor. Assim, o que podemos aprender com isso, é que Jesus espera uma fé semelhante do seu povo.

A fé recompensada

Então Jesus disse ao centurião: Vá! E seja feito conforme você crê. E, naquela hora, o servo do centurião foi curado (Mt 8.13).

A fé do centurião fora recompensada e seu servo recebeu a cura. Não sabemos qual era a relação de ambos, mas fica evidente no texto uma boa relação entre patrão e empregado. Será que você querido leitor, teria a mesma atitude do centurião? De ir até Jesus e orar pelo seu empregado que se encontrava paralítico e horrivelmente sofrendo? Tudo que aquele oficial romano fez, foi movido pela fé. A fé sem as obras, é completamente morta (Tg 2.17). Portanto, que não possamos amar apenas de palavras, mas com obras também (1Jo 3.18).

Conclusão

Em suma, o que podemos aprender nessa passagem é sobre a fé do centurião. Jesus usa a fé desse gentio como exemplo para os israelitas que não acreditavam em seu ministério. Jesus revela nesse texto, que sempre foi o plano de Deus de salvar os gentios. Fica claro na passagem que Jesus é o Senhor e que tem poder sobre toda enfermidades.   


Sidney Muniz