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domingo, 18 de dezembro de 2022

O Cristão e o Estado (Obrigações)

 



Os cristãos não possuem apenas deveres de caráter religiosos, mas cívico. A igreja de Cristo, como embaixadora de Cristo na terra, deve ser submissa ao Estado. Um cristão rebelde ao Estado, está rebelando-se contra a vontade do próprio Deus: Ele ordena obediência a essa instituição. Portanto, esse texto pretende mostrar as obrigações de um cristão perante o Estado.

As obrigações do Estado

Diante da Bíblia, não é apenas os cristãos que possuem responsabilidades, o Estado também tem suas respectivas obrigações. A primeira obrigação do Estado, “garantir a paz social.” “Visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal (Rm 13:4).” Paulo demonstra que o Estado pode trazer a espada, ou seja, a pena de morte. Isso, se referia que o Estado pode punir completamente aqueles estavam trazendo desordem. Assim, o Estado tem o compromisso de fazer justiça diante dos que praticam o mal.

A segunda obrigação do Estado, “reconhecer sua limitação.” A Bíblia não apresenta um Estado inchado, porém, bem enxuto. Não é dever do Estado dizer os que as pessoas podem e não podem comer. A ideia de Estado ensinado perante as Escrituras, não está em harmonia com o socialismo. Há cristãos que defendem o socialismo, geralmente esses não conhecem o que a Bíblia ensina sobre o Estado ou não nasceram de novo. Dessa forma, entendemos biblicamente que a função do Estado é garantir paz social, o Estado deve ser uma instituição bem limitada.     

As obrigações dos cristãos  

A Bíblia demonstra que os cristãos possuem obrigações perante o Estado. A princípio, as Escrituras ordena a obediência. “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas (Rm 13:1).” O cristão deve obedecer ao Estado, segundo Paulo, porque as autoridades foram instituídas por Deus. Quem se recusar a obedecer, não está contra o Estado, mas contra a ordenação de Deus (Rm 13:2). Portanto, como disse o apóstolo Pedro: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem (1 Pe 2:13,14).”

Além disso, a obediência ao Estado não deve ser de maneira cega, porém limitada. O cristão deve obedecer ao Estado, quando esse estiver pautado nas Escrituras Sagrada. Quando os discípulos estavam diante das autoridades religiosas, afirmaram: “Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens (At 5:29).” Desse modo, estamos isentos da obediência às autoridades quando elas não seguem os padrões bíblicos.

Por outro lado, a Bíblia ensina que devemos orar pelas autoridades. “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito (1 Tm 2:1,2)”. Quando Paulo escreveu a primeira carta a Timóteo, a igreja estava enfrentando perseguições pelo Império Romano. Diante dessa situação, ele ordena a igreja a fazer orações por aquelas autoridades, porque Paulo sabia do poder da oração.

Os cristãos não podem deixar de orar pelos governantes, pois essa é uma exortação bíblica. Seja qual for a situação, os governantes não podem ficar de fora das orações da igreja de Cristo, eles necessitam dessas orações. Em vista disso, devemos orar para que Deus conceda aos governantes sabedoria para governar. Se quisermos uma vida de tranquilidade e mansa, devemos interceder por eles.

Conclusão

Portanto, Cristo é nosso maior exemplo referente as obrigações diante do Estado. Ele disse certa vez: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus (Mt 22:21).” Jesus estava nos ensinando que temos obrigações perante as autoridades, porém, não esquecendo nossas responsabilidades diante de Deus. Logo, temos responsabilidades celeste e terrestre.

Sidney Muniz 


domingo, 1 de agosto de 2021

Política e Religião não se discutem?



Talvez você já ouviu expressões como essas: “política e religião não se discutem”; “crente não deve entrar na política, pois os que entram, se corrompem”; “igreja não tem nada a ver com política e política com a igreja”.

Antes de tudo, devemos nos perguntar, se essas afirmações concordam com a Bíblia, não devemos firmar nossas crenças em conceitos que não concordam com as Escrituras. Diante disso, esse texto tem a finalidade de provar que essa afirmação não tem respaldo bíblico. Para isso, queremos mostrar “três razões” porque que esse pensamento está errado.

Sagrado vs Secular

A primeira razão, está no fato de a igreja pensar no sagrado e secular. Ou seja, tudo que está na igreja se torna sagrado, enquanto o que estiver fora da igreja não é sagrado, mas carnal. A princípio, esse pensamento surgiu no gnosticismo que considerava a matéria ruim e o espírito bom. O catolicismo aderiu esse pensamento e muitas igrejas protestantes acabaram seguindo o mesmo.[1] Por isso, encontramos as pessoas fazendo esse tipo de afirmação: “política e religião não se discutem”, porque foram influenciadas por essas ideias de sagrado e secular. Mas o que a Bíblia diz sobre isso? “Portanto, se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10:31). Tudo deve ser feito para a glória de Deus, inclusive a política. Lutero certa vez disse: “ainda que o seu trabalho seja o de um lavador de pratos ou de um menino que cuida do estábulo, a sua vocação é divinamente indicada, tão sagrada quanto a de qualquer pastor ou oficial da igreja”.[2] Como diz no Breve Catecismo de Westminster:

1. Qual é o fim principal do homem?

O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre.[3]

Servos de Deus que eram políticos

A segunda razão, é que muitos servos de Deus foram políticos. Moisés, Samuel, Neemias, Mardoqueu, Davi, Salomão e entre tantos outros, foram autênticos políticos que influenciaram o seu povo a viverem segundo os padrões da verdade de Deus, confrontaram o abuso de poder, lutaram pela paz social e liberdade. O próprio Jesus ensinou sobre os nossos deveres para com o Estado sobre o imposto (Mt 22:15-22); Paulo ensinou a igreja a obedecer às autoridades (Rm 13:1-7) e orar por elas (1Tm 2:1-8). Não há nenhum mal ou erro em um cristão ser político, desde que ele não abandone os seus princípios cristãos. Sobre isso Franklin Ferreira declarou: “o político cristão deve ter a capacidade e coragem para criticar a cultura, questionando suas motivações, mensagens e propostas. Com base em uma crítica da cultura fundamentada na Escritura, os que servem na esfera pública devem trabalhar para criar projetos de lei que estejam de acordo com a cosmovisão cristã – sem, porém, terem de necessariamente ser formulados pelo uso da linguagem da fé, como parece implicar a falta de menção do nome de Deus no livro de Ester – e devem se levantar contra leis e situações que contrariam a fé cristã”.[4]

A Bíblia é irrelevante para a política

Terceiro razão, esse pensamento torna a Bíblia irrelevante no sentido de ela não ensinar sobre política. Não podemos “separar o Estado do senhorio de Jesus Cristo, o Rei dos reis, não equivale apenas à teologia ruim, mas ao politeísmo prático”.[5] Esse pensamento que igreja e religião não tem harmonia, é um pensamento marxista que adentrou na igreja de Cristo. Sobre isso, o teólogo e filósofo R. J. Rushdoony explica:

“No mundo marxista, como evidenciado na União Soviética, a separação de igreja e Estado significa que a igreja deve ser totalmente separada de cada área da vida e pensamento. Não se pode permitir que ela eduque ou influencie a educação, tampouco o Estado. Visto que as crianças são vistas como propriedades do Estado, a igreja não pode influenciá-las ou ensiná-las”.[6]    

Desse modo, vários cristãos foram influenciados por essa categoria de pensamento que é contrário as Escrituras. Os servos de Deus são chamados para serem o sal e luz desse mundo, Jesus deu a ordem a sua igreja de fazer discípulos de todas as nações (Mt 28:29,20), isto é, influenciar esse mundo em todas as áreas, inclusive a política.

Conclusão

Em suma, como disse Charles Spurgeon: “Só os tolos acreditam que política e religião não se discute. Por isso os ladrões permanecem no poder e os falsos profetas continuam a pregar”. Enquanto tivermos esse pensamento que política e religião, não se discute, permaneceremos na ignorância. A Bíblia é um livro que nos orienta em tudo, inclusive sobre a política, ela é a nossa regra de fé e prática. Dizer que religião e política não se mistura, é cair no marxismo que é completamente contrário as Escrituras Sagradas.

 

Sidney Muniz    



[1] Pilares da Fé. A atualidade da mensagem da Reforma – Franklin Ferreira

[2] Contra a idolatria do Estado – Franklin Ferreira

[3] Breve Catescismo de Westmister

[4] Contra a idolatria do Estado – Franklin Ferreira

[5] Cristianismo e Estado – Rousas John Rushdoony

[6] ibidem



 

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

O Cristão e a Política

 


Falar sobre o cristão e a política para muitos cristãos se torna um assunto controverso. Será que a Bíblia ensina sobre esse tema? Há na Bíblia que alguns servos de Deus foram políticos? 

O objetivo desse texto é esclarecer algumas dúvidas em relação a esse assunto.

Ideias erradas de alguns cristãos sobre a política 

A princípio, alguns cristãos têm o pensamento que a política corrompe qualquer pessoa que deseja entrar para a vida pública, a política é vista de forma negativa. Além disso, argumentam também que religião e política não se discute. Assim, essa é forma como muitos crentes veem a política no cenário evangélico.

O que significa a palavra política

O dicionário define “direção de um Estado e determinação das formas de sua organização.” Em outras palavras, a política é arte de governar. O conceito, por si só, refuta a ideia errada de muitos cristãos sobre a política. 

Os servos de Deus que foram políticos 

Nas Escrituras Sagradas encontramos servos de Deus que foram políticos. José se tornou o governador do Egito, foi um grande administrador. Moisés estabeleceu as leis para que a nação de Israel obedecesse. Samuel foi o último dos juízes de Israel, governava a parte religiosa como na parte pública. Neemias foi um grande governador de Jerusalém, reconstruiu os muros que foram derrubados pelo exército babilônico em tempo recorde, 52 dias.

Não é errado um servo de Deus entrar na política, os reformadores consideravam como um santo chamado de Deus. A igreja de Cristo foi chamada para influenciar em todas as áreas da vida, inclusive na política.

O que deve fazer os cristãos que desejam entrar na política

Algumas pessoas são de acordo e outras são completamente contra. Aqueles que tem o desejo de entrar para a vida pública, penso que devem ter em mente três coisas: 

Primeiro, vocação. Um cristão que deseja ser político precisa entender se tem realmente chamado. Para identificar isso, é necessário olhar para um chamado interno em seu coração, essa chamada é como uma chama, um desejo em seu coração e ele não ver outra porta a não ser essa para trilhar. Além disso, é preciso olhar para um chamado mais externo. Considerar se as pessoas a sua volta reconhecem esse chamado. Por último, a necessidade. Neemias se tornou um governador através de uma necessidade, se candidatou para ajudar sua nação que estava em miséria. 

Segundo, preparo intelectual. Um cristão que deseja entrar na vida pública tem que ser uma pessoa preparada. Não basta ter um chamado, precisa ter conhecimento de leis, administração e políticas. Pois, se não tiver tais conhecimentos, não fará uma boa administração do dinheiro público.

Terceiro, ética. Esse é um dos quesitos fundamentais para os que desejam entrar na política. Precisamos de pessoa que tenham ética, os políticos que roubam os cofres públicos são pessoas sem princípios morais.

Conclusão

Não podemos como cristãos sermos ignorantes quanto a política, como disse Charles Spurgeon: “somente os tolos acreditam que política e religião não se discute. Por isso os ladrões continuam no poder e os falsos profetas continuam a pregar.” Muitos servos de Deus serviram de forma honesta o governo, não se corromperam e foram exemplo para sua nação. Como cristãos, precisamos colocar pessoas vocacionadas, preparadas e éticas para nos representar no governo.


Sidney Muniz