google.com, pub-7873333098207459, DIRECT, f08c47fec0942fa0 Evangelho da Graça : Escatologia

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domingo, 7 de fevereiro de 2021

A Esperança do Arrebatamento da Igreja

 



Em 1Ts 4.13-18 Paulo escreveu a igreja de Tessalônica sobre a esperança do arrebatamento. Ele trata desse assunto de forma bem pastoral com aqueles irmãos que perderam seus parentes. O objetivo do Apóstolo Paulo não era escrever se esse arrebatamento aconteceria antes ou depois da tribulação, porém, confortar aqueles cristãos que tinham dúvidas se os que morreram em Jesus participariam do retorno glorioso de Cristo. Portanto, a finalidade desse texto é abordar quanto a esperança do retorno glorioso de Cristo para buscar o seu povo. 

Vida após a morte  

Paulo não queria que aqueles irmãos fossem ignorantes acerca dos que já dormem (1Ts 4.13). Aos que dormem, é uma metáfora comum entre os pagãos, mas também entre os judeus e cristãos, para a morte.[1] Paulo não estava se referindo ao sono da alma, apesar de algumas linhas de interpretação defenderem esse posicionamento. Além disso, ele escreveu para que aqueles cristãos não se entristecessem como os incrédulos, mas que crescem na vida após a morte por meio da Vinda de Cristo. O pensamento que perturbou os tessalonicenses eram que aqueles que morreram em Cristo perderiam a sua volta, enquanto os vivos estariam em uma situação melhor. Portanto, o apóstolo fundamenta a esperança deles, na ressurreição Cristo, isto é, a ressurreição de Cristo era a garantia daqueles irmãos.

O que acontecerá no Arrebatamento

Após esclarecer a situação daqueles que morreram em Cristo, Paulo descreve como será o arrebatamento da igreja (1Ts 4.15-17).

Primeiramente, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, os que tiverem vivos por ocasião do Retorno de Cristo serão arrebatados. Sobre isso, Hernandes comenta: “quando o apóstolo Paulo diz que os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, não é em relação aos outros mortos, mas em relação aos que estiverem vivos. Paulo não está ensinando duas ressurreições. O texto em apreço é uma instrução apostólica acerca da esperança cristã. Ele está trazendo uma palavra de consolo para os crentes em relação ao estado dos que morrem em Cristo (4.18). Fica evidente, pois, que ambos os grupos, os mortos e os sobreviventes são crentes. Paulo não está traçando contraste entre crentes e descrentes, dizendo que os crentes ressuscitam primeiro, e os descrentes mil anos depois. Ambos os grupos: mortos ressurretos e vivos transformados sobem para encontrar o Senhor nos ares.”[2]

Segundo, a ressurreição dos mortos. Essa ressurreição se dará por meio da volta de Cristo, o Senhor virá mediante a Sua palavra de ordem (1Ts 4.16). Essa é uma voz de autoridade. Jesus Cristo dará uma palavra de ordem, como fez do lado de fora do túmulo de Lázaro (Jo 11.43). O evangelista João registra: “[...] os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão” (Jo 5.28). O soberano Senhor do universo erguerá Sua voz e todos os mortos a ouvirão e sairão dos seus túmulos, uns para a ressurreição da vida e outros para a ressurreição do juízo (Jo 5.28,29).[3]

Terceiro, a Volta de Cristo será um evento público e não secreto. Paulo nunca ensinou um arrebatamento secreto da igreja, porém, uma vinda visível, audível, publica e gloriosa. O próprio texto descreve a voz do Arcanjo e som da trombeta, descrevendo como um evento público. 

Quarto, receberemos corpos transformados. Paulo escrevendo a igreja de Corinto demonstra que eles seriam transformados por meio do arrebatamento da igreja, receberiam corpos incorruptíveis e imortais (1Co 15.51-54). A igreja de Filipo ele disse: “o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” (Fp 3.21).

Quinto, estaremos para sempre com o Senhor. Não teremos mais dores, tristezas, doenças, tribulações, etc. Estaremos na eternidade com o Senhor, todos os salvos reunidos em comunhão com Deus.

Consolai-vos uns aos outros

Paulo instrui aqueles irmãos a consolar os que estavam com dúvidas quanto ao retorno triunfal de Jesus. A palavra “consolai-vos” tem o significado de “animai-vos” ou “fortalecei-vos”. O propósito desse ensino é prático, e não a satisfação de uma especulação inútil. Os cristãos não precisam se entristecer, pois, eles têm palavras divinas de consolo que transcendem qualquer conforto humano[4].  

Conclusão

Portanto, esse texto nos ensina que devemos aguardar a bendita esperança do arrebatamento da igreja. Quando Cristo voltar os mortos ressuscitarão primeiro e os vivos serão arrebatados para o encontro com o Senhor nos ares. Não devemos temer a morte, a vida não acaba no túmulo, mas ela é uma ponte para a eternidade. A mensagem do retorno de Cristo deve encher o nosso coração de esperança a cada dia, sabendo que um mundo melhor Deus destinou ao seu povo.

 

Sidney Muniz

 

Referências


[1] Bíblia de Estudo de Genebra

[2] 1 e 2 Tessalonicenses – Hernandes Dias Lopes

[3] Ibidem

[4] Comentário Bíblico NVI – AT e NT – F.F Bruce


sábado, 31 de outubro de 2020

Quatro Métodos de Interpretação do livro de Apocalipse

 




O livro do apocalipse é considerado pela maioria dos cristãos um dos mais difíceis da Bíblia de interpretar. Isso devido ao grande número de símbolos e figuras bem presentes no livro.

Diante disso, existe quatro métodos de interpretação desse livro, veremos resumidamente cada uma dessas interpretações. Vale destacar que esses métodos não se aplicam apenas ao livro de Apocalipse, mas a outros textos bíblicos — principalmente aos livros proféticos. 

INTERPRETAÇÃO PRETERISTA 

O método Preterista considera o contexto histórico na interpretação do Apocalipse. Essa linha de pensamento, entende que o simbolismo por trás do Apocalipse relaciona-se com os fatos contemporâneos da época em que o livro foi escrito. Assim, o Preterista compreende que várias profecias do Novo Testamento foram cumpridas com a destruição do Templo em Jerusalém no ano 70 d.C. 

Dentro do Preterismo existem duas subdivisões que podemos chamar de Preterista Parcial (moderado) e Preterista Completo (radical). O Preterismo moderado, entende que existem profecias para se cumprir no futuro, como a ressurreição dos mortos por meio da vinda de Cristo e o julgamento final. Essa linha de interpretação acredita que o livro de Apocalipse falta se cumprir do capítulo 20 em diante. Em contrapartida, o Preterismo radical sustenta tudo foi cumprido no ano 70 d.C. inclusive, segundo eles, a segunda vinda já aconteceu e estamos vivendo Novos céus e Nova Terra. 

INTERPRETAÇÃO FUTURISTA 

Os que seguem uma interpretação futurista, quase tudo do livro de apocalipse está relacionado ao futuro sobre o fim dos tempos — com exceção apenas dos três primeiros capítulos. A interpretação futurista ficou conhecida com o surgimento do Dispensacionalismo (ou Pré-milenismo Dispensacionalista). Essa interpretação, tornou-se a principal visão escatológica dentro do movimento pentecostal e alguns meios batistas. 

A interpretação futurista na sua maioria acreditam em um arrebatamento secreto da igreja antes de uma tribulação de sete anos, a besta será um líder político que governará mundialmente, o falso profeta será uma espécie de ecumenismo religioso no governo do anticristo e ao final Cristo voltará para livrar Israel e estabelecer o reino milenar de mil anos na terra. Assim, acreditam os futuristas. 

INTERPRETAÇÃO IDEALISTA 

A interpretação idealista do apocalipse é totalmente simbólica. Essa escola interpreta os textos presentes no livro como símbolos, verdades ou ideais espirituais, ou seja, nada irá acontecer de forma literal ou histórica, mas espiritualmente. 

O que seguem uma interpretação idealista do apocalipse acreditam que o livro ensina uma luta entre o bem e o mal, entre a igreja e o paganismo promovido pelas forças do mal. Dessa forma, os cristãos podem aplicar as verdades espirituais em diversas situações, por exemplo: o Besta do apocalipse pode ser qualquer político ou leis que se levantam contra os princípios da palavra de Deus. 

INTERPRETAÇÃO HISTORICISTA 

O Historicismo interpreta as profecias do Apocalipse cumprindo-se ao longo da história, por isso é o nome “historicismo”. Dessa forma, os Historicistas interpretam que muitas profecias já se cumpriram, outras estão em pleno cumprimento, ou seja, seria um esboço da história da igreja desde o século I até a Segunda Vinda de Cristo. 

A interpretação historicista era predominante dentro do protestantismo até o século XIX. Os reformadores seguiam essa interpretação no entendimento do Apocalipse, eles entendiam que o Papa era o Anticristo, a mulher do Apocalipse sentada sobre a Besta era a cidade de Roma. Atualmente, a única igreja que sengue esse método são os Adventistas do Sétimo dia. 

Muitas igrejas abandonaram essa linha de pensamento com o surgimento do Dispensacionalismo que trouxe uma interpretação totalmente futurista. Dessa forma, as igrejas brasileiras, hoje, seguem uma interpretação mais futurista do Apocalipse.

Conclusão

Em suma, essas são as principais interpretações do livro de Apocalipse. Cabe ao leitor pesquisar e descobrir qual desses métodos concorda com as Sagradas Escrituras. 



Sidney Muniz

domingo, 25 de outubro de 2020

Pré-tribulacionismo, Meso-tribulacionismo e Pós-tribulacionismo - Parte 2

 



O presente texto não tem o objetivo de provar quais das escolas tribulacionistas está correta segundo a Bíblia, mas apenas apresentar o que cada uma dessas escolas pensam sobre a ordem dos acontecimentos referente ao arrebatamento da igreja. 

OS TEXTOS BÍBLICOS USADO PELOS PRÉ-TRIBULACIONISTAS

O Pré-Tribulacionista ensina que a igreja não passará pela grande tribulação. Primeiramente, eles ensinam que a igreja não foi destinada a ira de Deus (1 Tessalonicenses 1:9-10, 5:9), e os crentes não passarão pelo o Dia do Senhor (1 Tessalonicenses 5:1-9). Essa escola de interpretação, dar muita ênfase na igreja de Filadélfia que recebeu a promessa de Deus de ser guardada da "hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro" (Apocalipse 3:10). Com isso, eles acreditam que a igreja será guardada do período do julgamento. 

Segundo, esse sistema chama atenção para a palavra “igreja.” Na interpretação deles, a palavra igreja aparece 19 vezes nos três primeiros capítulos do livro, no caso a palavra aparecerá de novo apenas no capítulo 22 de Apocalipse. Em outras palavras, a igreja fica ausente em todo esse período da tribulação que vai do capítulo 4 até o 19 do livro. 

Os Pré-Tribulacionistas sustentam uma diferença entre Israel e a igreja. Para provar isso, eles usam as setenta semanas de Daniel 9:24. Essa profecia no entendimento deles, vai ser um tempo de purificação e restauração para Israel e para Jerusalém, e não para a igreja.

OS TEXTOS USADOS PELOS MESOTRIBULACIONISTAS

O Mesotribulacionismo ensina que o arrebatamento da igreja acontecerá na metade da tribulação. Essa linha de pensamento sustenta que, a sétima trombeta será tocada (Ap 11.15), a igreja irá encontra-se com Cristo nos ares e em seguida os julgamento das taças serão derramada sobre a terra (Ap 15-16), a igreja passará apenas pela metade da Tribulação (três anos e meio de paz), mas será poupada do pior (três anos e meio de tribulação). 

Essa teoria ensina uma ordem cronológica dos eventos finais com base em 2 Tessalonicenses 2:1-3: 1) apostasia, 2) a revelação do Anticristo, e 3) o Dia de Cristo. Eles também acreditam que o anticristo será revelado na metade da tribulação (Mt 24.15), usam as semanas de Daniel para provar isso (Dn 9.27). Outro ensino sustentado por essa visão escatológica é sobre a trombeta de 1Co 15.52, eles ensinam que é a mesma trombeta de Apocalipse 11.15. 

Em síntese, essas são as crenças centrais do Mesotribulacionista. A igreja apenas passa por três anos e meio de paz, porém, não enfrentará os três anos e meio de sofrimento que virá sobre à terra. 

TEXTOS USADOS PELOS PÓS-TRIBULACIONISTAS

O Pós-Tribulacionista ensina que o arrebatamento da igreja ocorrerá depois ou final no da tribulação. Essa linha de interpretação entende que, a Segunda Vinda não é dividida em duas partes, mas simultânea, isto é, o arrebatamento ocorrerá na Segunda Vinda. 

Os textos usados por essa linha escatológica são vários para fundamentar a sua teoria. Um texto muito usado ao favor dessa visão é o discurso profético de Jesus em Mateus 24 onde diz que voltará depois de uma “grande tribulação” (Mateus 24:21, 29). Além disso, eles interpretam que o livro de Apocalipse ensina apenas uma Vinda e isso ocorre após a tribulação (Apocalipse 19–20). Os Pós-Tribulacionistas dão destaque em passagens como Apocalipse 13:7 e 20:9, onde haverá santos na tribulação segundo essa teoria. Por último, Apocalipse 20:5 é chamada de a “primeira ressurreição”. Segundo essa visão, a “primeira” ressurreição ocorre após a Tribulação, a ressurreição associada com o Arrebatamento em 1 Tessalonicenses 4:16 não pode ocorrer até então. 

O Pós-Tribulacionista chama atenção para os fatos históricos. O povo de Deus tem passado ao longo da história por momentos de intensa perseguição e julgamento. Por isso, no entendimento deles, não é de surpreender que a igreja passa pela grande tribulação no final dos tempos. Eles destacam que a igreja enfrentará a ira de satanás, um meio de Deus purificar os fies. A ira de Deus cairá sobre os ímpios e sobre o governo do Anticristo, mas povo de Deus será protegido igual no Egito. 

Em suma, isso é basicamente as crenças do Pós-Tribuacionista. A Segunda Vinda é apenas um evento, a igreja passa pela grande tribulação, a igreja enfrenta apenas a ira de satanás e não a ira de Deus. Diante de tudo isso Deus guarda o seu povo. 

Conclusão

Querido leitor, depois de ler esse texto, fica a sua disposição a missão de pesquisar quais dessas escolas concorda com as Sagradas Escrituras. Procure materiais que venham auxiliar você nesse entendimento como: comentários bíblicos, livros que abordam mais detalhadamente cada uma dessas linhas de interpretação sobre o arrebatamento da igreja, vídeos, Bíblias de Estudos, etc.


Sidney Muniz 

domingo, 18 de outubro de 2020

Pré-tribulacionismo, Meso-tribulacionismo e Pós-tribulacionismo - Parte 1


 

O presente texto tem como objetivo de abordar os pensamentos das escolas tribulacionistas (Pré-tribulacionismo, Meso-tribulacionismo e Pós-tribulacionismo) e suas diferenças quanto a interpretação do arrebatamento da igreja na Escatologia.

O QUE É PRÉ-TRIBULACIONISMO?

O Pré-tribulacionismo significa que o Arrebatamento da igreja ocorre antes da tribulação. A igreja irá encontrar Cristo nos ares quando o anticristo se manifestar. Os pré-tribulacionistas acreditam que haverá uma tribulação de 7 anos sobre a face da terra, 3 anos e meio de paz e depois 3 anos de muita dor para quem não foi arrebatado, o objetivo desse período é Deus tratar justamente com a nação de Israel.

Essa escola de interpretação ensina que, a Segunda Vinda de Cristo é dividida em duas partes. Primeiro, Cristo vem para a igreja por meio do arrebatamento e depois para a nação de Israel no final da grande tribulação, isto é, na Segunda Vinda. Vale ressaltar que alguns dessa linha de interpretação, acredita no arrebatamento secreto e outros não. Portanto, em linhas gerais esse é um pequeno panorama dessa crença.

O QUE É MESOTRIBULACIONISTA?

O Mesotribulacionista acredita que o arrebatamento da igreja ocorre “no meio da tribulação.” Essa linha de interpretação ensina que, a igreja passará pela metade da tribulação (3 anos e meio de paz), mas será poupada do pior dessa tribulação no período de 3 anos e meio. Assim, tanto o Mesotribulacionista como o Pré-tribulacionista acreditam em uma tribulação de 7 anos.

Atualmente, são poucos os que defendem esta corrente escatológica. As mais defendidas no meio evangélico são o Pré-tribulacionismo e o Pós-tribulacionismo.

O QUE É PÓS-TRIBULACIONISMO?

O Pós-tribulacionismo ensina que o arrebatamento da igreja ocorre depois da tribulação. Enquanto o Pré-tribulacionismo entende a Segunda Vinda em “duas partes” (uma para a igreja e a outra para Israel), no Pós-tribulacionismo ela é entendida “como um único evento.” Nessa interpretação, a igreja passa pela grande tribulação, os que seguem esse pensamento não entendem que a tribulação precisa ser um período de sete anos.

Essa escola aponta que o povo de Deus ao logo da história, tem passado por grandes tribulações. Por isso, não deve se surpreender que a igreja passe também pela grande tribulação no fim dos tempos. Em relação a isso, o Pós-tribulacionista ensina que a ira de Deus em Apocalipse será derramada sobre os inimigos de Cristo, enquanto a ira de satanás será contra a igreja.

Conclusão

Em suma, o arrebatamento da igreja divide opiniões entre os cristãos quanto aos assuntos escatológicos. Apesar de essas linhas de interpretação discordar entre si cronologicamente de alguns pontos quanto ao fim dos tempos, porém, elas concordam entre sim que Cristo voltará para buscar a sua igreja.


Sidney Muniz

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Nossa Atitude Diante da Volta de Cristo



É difícil encontrarmos nesses dias mensagens que abordam a volta de Cristo. Mensagem essa que foi até esquecida no meio evangélico, hoje é comum encontrarmos sermões recheados de alto-ajuda, prosperidade, triunfalismo e etc. Não podemos nos esquecer que, Cristo um dia há de voltar para buscar seu povo remido e santo. Precisamos aguardar sua volta, muitos podem até não crê ou não ter esperança na vinda de Jesus, mas nós os cristãos aguardamos essa promessa firmemente e sabemos que Aquele que prometeu é fiel para cumprir sua promessa. Portando, devemos nos perguntar, como estamos nos comportando diante da volta de Cristo.

Por meio desse texto, quero de forma resumida falar de algumas atitudes que devemos ter perante a vinda de Cristo. 

1. Amar a vinda de Jesus

Muitos que estão dentro das igrejas, não tem amado a vinda de Cristo. Estão vivendo de certa forma, como se a vida cristã pertencesse apenas a esse mundo, Paulo escrevendo para seu filho na fé Timóteo disse: Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda (2Tm 4:8). O apóstolo de Cristo afirma que, a coroa da justiça está guardada a ele; está coroa, é alcançada a todos aqueles que foram justificados pela fé em Cristo Jesus. Quando cremos no Cristo crucificado; todos os méritos de Jesus na cruz passam a ser nosso, sua justiça passa ser imputada a nós e somos considerados justos diante de Deus; todos nossos pecados foram pagos no madeiro e temos garantia de vida eterna.

Paulo deixa claro que isso não pertencia somente a ele, mas a todos que amam a sua vinda. E todos aqueles que foram justificados pela fé, amam a vinda de Cristo. E como sabemos que estamos amando sua vinda? Os que amam a sua vinda, não esperam Cristo somente nesta vida (1Co 15:19); esquecem das coisas que para atrás ficaram e prosseguem para o alvo que é Cristo Jesus (Fp 3:13,14); tem sua mente centralizada nas coisas do céu (Cl 3:2); olha para Jesus como autor e consumador da fé (Hb 12:2); ama e obedece a palavra de Deus (Jo 14:23).

Se essas virtudes são encontradas em nossas vidas, é sinal que estamos amando a vinda de Cristo.

2. Devemos Esperar

Devemos esperar o retorno de Cristo para buscar seu povo amado. Paulo escrevendo para a igreja de Filipo disse: Mas a nossa pátria está nos céus, donde também aguardamos um Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Fp 3:20). Paulo leva os irmãos a centralizar suas mentes para as coisas do alto, ou seja, para a vida eterna. Na época em que Paulo escreveu isto, os libertinos que ele chamava de inimigo da cruz, estavam voltados somente para as coisas terrenas; e Paulo descreve que o destino deles era a perdição. Por isso, que Paulo demonstra para os irmãos que eles devem aguardar a vinda de Cristo, porque a pátria deles não é dessa terra, mas sim do céu, onde Cristo transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até sujeitar a si todas as coisas (Fp 3:21).

O apóstolo Tiago nos ensina que, devemos esperar a volta de Cristo com paciência (Tg 5:7). Ele faz uma certa ilustração sobre isto: Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba as primeiras e as últimas chuvas (Tg 5:7). Em seguida ele diz que devemos fortalecer o coração porque a vinda do Senhor está perto (Vv 8). E como um cristão fortalece seu coração diante de Deus? Usando os meios da graça que são: a oração, a palavra de Deus e os sacramentos que o Senhor nos deixou.

Mesmo diante das circunstâncias, precisamos esperar de forma firme o retorno de Cristo e seguir a orientação de Tiago: Irmãos, tomai como exemplo de sofrimento e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor Eis que chamamos bem-aventurados os que suportaram aflições. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu, porque o Senhor é cheio de misericórdia e compaixão (Tg 5:10,11).

3. Apressar a vinda de Cristo

Talvez possa soar estranho para algumas pessoas, o fato de ouvir falar sobre apressar a vinda de Cristo. Mas o texto bíblico fala sobre isso: Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? (2Pe 3:12). A palavra apressando, em outras traduções aparece como acelerando. Ela traz o entendimento assim: aguardando ardentemente e acelerando a volta de Cristo. Apesar de pessoas na época estarem falando da demora da volta de Jesus (Vv 4), Pedro demonstra que, Deus não retarda a sua promessa; ainda que alguns tem por tardia, mas quer que as pessoas cheguem ao arrependimento (Vv9). Então, apesar de o texto está falando de uma demora e de uma pressa ao mesmo tempo, não devemos entender como uma contradição. Sabemos que por meio da providencia, Deus dirigi todas as coisas conforme sua vontade.

Portanto, como devemos apressar a vinda de Cristo? - Quando falo apressar, me refiro sobre a responsabilidade humana - primeiro, devemos nos dedicar ao evangelismo e a obra missionária mundial. Como Jesus disse: E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim (Mt 24:14). Segundo, devemos nos dedicar a oração. Os Puritanos por exemplo, seguiam muito bem o ensino de Jesus, sobre a oração do Pai Nosso: Venha o Teu Reino. No tempo dos Puritanos, antes da pregação eles oravam pela propagação do evangelho e do reino de Cristo a todas as nações, pela conversão dos judeus, pela plenitude dos gentios e pelas igrejas que eram afligidas pelos poderes mulçumanos. No culto familiar, eles oravam pela igreja, nação, família e por cada membro.

Por mais que não tenhamos algum envolvimento com grupo de missões, podemos fazer igual os Puritanos, nos dedicar em oração por missões.

4. Vigiar

Jesus falando sobre sua volta no sermão profético disse: Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor (Mt 24:42). A palavra vigiar tem o significado de estar atento e de guardar também. Mas a pergunta é, devemos estar atentos sobre o quê? Olhando para a passagem de Lucas 21:34-36 Jesus deixa claro sobre de que devemos nos guardar:

Olhai por vós mesmos; não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um laço. Porque há de vir sobre todos os que habitam na face da terra. Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que hão de acontecer, e estar em pé na presença do Filho do homem.

Veja que, a vigilância empregada por Jesus tem a ver com a separação das coisas do mundo. Paulo segue o mesmo pensamento quando escreve para a igreja Tessalônica: Não durmamos, pois, como os demais, antes vigiemos e sejamos sóbrios (1Ts 5:6). Aqui, Paulo faz um contraste entre os filhos do dia e das trevas, ou seja, aqueles que servem a Deus e os que não servem. E ele exorta os irmãos a vigiar e se manter firme na fé (1Ts 5:8). Desse modo, a vigilância que Jesus espera daqueles que aguardam a sua vinda, está em permanecer firme nEle e se apartar das coisas que o mundo oferece.

5. Devemos estar preparados

Todo cristão deve estar preparado para volta de Cristo, isso é uma responsabilidade de todos que servem a Deus. Jesus disse que à hora e o dia da sua volta ninguém sabe, mas unicamente o Pai (Mt 24:36). Jesus cita a parábola do servo bom e do servo mau que, ilustra bem sobre como devemos estar preparados para sua volta (Mt 24:45-51). No servo bom encontrasse fidelidade e prudência na sua forma de esperar seu senhor. Jesus diz que bem-aventurado o servo que se encontra dessa forma, Cristo afirma que esse será recompensado por suas atitudes. Entretanto, o servo mau não terá a mesma recompensa do servo bom, porque no mesmo não se encontra fidelidade e prudência; em vez disso, se encontra nele uma vida toda voltada para a imoralidade e materialismo.

Encontramos na parábola das dez virgens, outro exemplo de Jesus sobre como devemos estar preparados (Mt 25:1-12). O texto diz que cinco eram prudentes e cinco eram loucas. As prudentes levaram em suas vasilhas azeite, enquanto que, as loucas não levaram azeite para esperar o noivo. E quando o noivo chega, quem entra são as prudentes para as bodas e se fecha a porta. Mas para as loucas que não estavam preparadas o noivo diz: Depois vieram também as outras virgens (loucas), e disseram: Senhor, Senhor, abre-nos a porta. Ele, porém, respondeu: Em verdade vos digo, não vos conheço (Mt 25:11,12).

Diante dessas duas parábolas abordadas por Jesus, sobre como devemos estar preparados para o seu retorno, aprendemos que, a maneira correta de estar preparado é sermos fieis como o servo bom (Mt 24: 45-51), e sermos como as cinco virgens prudentes (Mt 25:1-12). Se não tivermos essas qualidades, vamos ouvir aquelas palavras ditas as cinco loucas que não estavam preparadas: Em verdade vos digo, não vos conheço (Mt 25:11). Ou aquelas palavras ditas aquele servo mau: virá o senhor daquele servo, num dia em que não o espera, e numa hora de que não sabe, e cortá-lo-á pelo meio, e lhe dará a sua parte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes (Mt 24:50,51).

Conclusão

As lições práticas aprendidas diante de tudo isso é: amar a vinda de Cristo realmente e não ficarmos com os nossos olhos somente para as coisas dessa vida. Nunca devemos esquecer que a nossa pátria está nos céus e de onde aguardarmos o retorno do nosso salvador em glória e poder. Não devemos esquecer sobre apressar a vinda de Cristo e confiar na sua inteira providência de conduzir todas as coisas. Nós como igreja de Cristo devemos nos envolver em obras evangelísticas; por mais que não estejamos em alguma, podemos orar para que o reino de Deus avance nesse mundo. A vigilância deve ter total importância para nossa vida cristã, por meio dela estaremos atentos e guardados diante das coisas que o mundo oferece. E por último, devemos estar preparados para a volta de Cristo, e como vamos estar preparados? Andando em fidelidade e prudência diante de Deus. E que possamos nos lembrar das palavras de Jonathan Edwards: Senhor grave a eternidade nos meus olhos.  

Sidney Muniz 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Milênio literal ou simbólico?



Muitos acreditam que o milênio será um reino literal e não simbólico. Ou seja, será um reino físico aqui nessa terra e não espiritual. Os que creem assim, usam várias passagens do Antigo Testamento para provar um reino de mil anos aqui nessa terra, depois da segunda vinda de Cristo. Esses são tipicamente conhecidos como Pré milenista histórico e Pré milenista dispensacionalista; a diferença entre eles está na questão de que, um acredita que a igreja passa pela tribulação (pré milenista histórico) e o outro acredita que a igreja é arrebatada antes (pré milenista dispensacionalista). Mas o que é interessante entre as duas escolas de interpretação sobre o reino milenar de Cristo Jesus é que, as mesmas não interpretam esse reino a partir de Apocalipse 20, entretanto, recorrem a várias promessas que tem no Antigo Testamento, entre elas usam como exemplo o trono de Davi mencionado em Samuel 7:13,14.

No século XVI entre os puritanos, todos seguiam uma visão de um reino espiritual de Apocalipse 20, estavam intimamente ligados com o entendimento agostiniano de que o reino de Cristo começou na ressurreição de Cristo e duraria até a sua segunda vinda. Contudo, entre esse século fora mudada a interpretação agostiniana de milênio e deixando uma visão mais otimista da escatologia que é conhecida como Pós milenismo. Então, no século XVII muitos deixaram uma visão otimista da escatologia por uma compreensão mais literal de Apocalipse 20; mas sempre a maioria entre os puritanos, seguiam um entendimento espiritual de reino conforme Apocalipse 20. Sabemos que, o pré milenismo histórico e o pós milenismo são escolas de interpretações bem antigas na história da igreja. A escola mais recente pode-se dizer, é o dispensacionalismo que surgiu no século XIX.    

Sabemos que esse é um tema muito difícil para muitas pessoas e requer bastante textos para ser analisado, portanto, quero aqui deixar algumas dúvidas minhas sobre se haverá um reino literal de mil anos aqui nessa terra.

1. Os que acreditam em um reino literal nessa terra, usam as profecias do Antigo Testamento para provar seu pensamento. Quero aqui colocar dois textos que são usados:

Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti [um dentre] a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino.
Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre (2Sm 7:12,13).

Nesse texto, é interpretado sobre um descendente de Davi sendo o Cristo que se sentaria no trono (nesse caso me refiro o último descendente de Davi); e isto terá pleno cumprimento no reino milenar de Cristo sobre a terra. Usam também a passagem de Lucas 1:32,33 para evidenciar sua tese. Tudo isso provando um cumprimento depois da segunda vinda de Jesus.

A outra passagem que é usada está em Amós 9:11:
Naquele dia tornarei a levantar o tabernáculo caído de Davi, e repararei as suas brechas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e o edificarei como nos dias da antiguidade.

Aqui é falado de uma restauração do reinado de Davi, esse reino será depois da segunda vinda.

Mas se tudo isso que é colocado vai acontecer depois da segunda vinda, como entender a interpretação dos autores do Novo Testamento sobre o trono e o reino de Davi? Veja o que Pedro disse sobre o trono de Davi em Atos 2:29-32:

Homens irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura. Sendo, pois, [ele] profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para [o] assentar sobre o seu trono, Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que [a] sua alma não foi deixada no inferno, nem [a] sua carne viu a corrupção. Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas.

Perceba que, fazendo uma leitura natural do texto, o trono de Davi é relacionado por Pedro como a ressurreição de Cristo.
Agora vejamos como os autores do Novo Testamento entenderam Am 9:11, a passagem se encontra em Atos 15:12-19 quando Tiago fala no concílio de Jerusalém sobre os gentios:

Então toda a multidão se calou e escutava a Barnabé e a Paulo, que contavam quão grandes sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os gentios.
E, havendo-se eles calado, tomou Tiago a palavra, dizendo: Homens irmãos, ouvi-me: Simão relatou como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar [deles] um povo para o seu nome. E com isto concordam as palavras dos profetas; como está escrito: Depois disto voltarei, E reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído, Levantá-lo-ei das suas ruínas, E tornarei a edificá-lo. Para que o restante dos homens busque ao Senhor, E todos os gentios, sobre os quais o meu nome é invocado, Diz o Senhor, que faz todas estas [coisas], Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras.

Nessa passagem fica entendido que, o tabernáculo de Davi se refere a entrada dos gentios na igreja de Cristo. Portanto, essas promessas do Antigo Concerto se cumprem na primeira vinda ou na segunda vinda de Cristo?

2. Uma parte interessante da escatologia a ser abordada, é sobre a execução do juízo final. Os pré milenistas acreditam que acontecerá depois do milénio, sendo assim, podemos entender segundo a compreensão pré milenista que, haverá um intervalo de mil anos entre a segunda vinda de Cristo e o juízo final. Mas o que a escritura diz sobre isto? Vamos ao texto de 1Ts 1:7-9 que diz: E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, Com labaredas de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, longe da face do Senhor e da glória do seu poder.

Perceba que, a passagem está falando da segunda vinda de Jesus. Na qual aqueles que não conhecem a Deus e os que não obedecem, padecerão castigo eterno. Isso não descreve de certa forma um juízo de Deus, na segunda vinda de nosso Senhor Jesus Cristo? Se essas pessoas mencionadas padecerão eterna perdição na segunda vinda; quem satanás vai enganar depois do milénio se elas foram para condenação na segunda vinda?

3. Os pré milenistas dizem que, o Apocalipse segue uma ordem cronológica.
Se de fato segue uma ordem cronológica, como entender Ap 19:11-21? Nesse capitulo, os pré milenista descrevem que se trata da segunda vinda de Jesus. Veja uma parte que o texto diz:

E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército.
E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.
E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes (Ap 19:19-21). Perceba que se a besta (Anticristo), o falso profeta e os demais que foram mortos pela vinda de Jesus Cristo; então, quem satanás vai enganar no capitulo 20 que trata do milênio? Já que o Apocalipse segue uma ordem cronológica!

4. Se Apocalipse 20 se refere há um reino físico e literal aqui nessa terra, porque no próprio capitulo não mostra pessoas físicas reinando?

E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos (Ap 20:4).

João está contemplando almas ou pessoas físicas reinando nesse reino milenar?

5. Muitos interpretam Apocalipse 20 de uma forma bem literal ou podemos dizer até bem rígida.

E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos (Ap 20:1).

Em outras traduções diz que satanás foi acorrentado durante mil anos. Se for para seguir uma interpretação bem literal, como uma corrente vai prender satanás sendo que ele é um espírito?

6. Os que concordam em um reino milenar literal de Cristo, acreditam que vai ser um período de mil anos aqui nessa terra. Mas quero chamar sua atenção para a palavra mil anos; o que a Bíblia ensina sobre ela. Primeiramente quero lhe mostrar algumas passagens do Antigo Testamento:

Saberás, pois, que o SENHOR teu Deus, ele [é] Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos (Dt 7:9).

Então, se a palavra mil anos dever ser interpretada de forma bem literal, não deveríamos interpretar que após acabar mil gerações, a misericórdia de Deus cessaria?

Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, [mas] não chegará a ti (Sl 91:7).
Como alguém poderia interpretar esses mil ao teu lado e dez mil a tua direita de forma literal?

Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor [é] como mil anos, e mil anos como um dia (2Pe 3:8).
Se aqui Pedro está seguindo uma interpretação literal, então, os mil anos de Ap 20 é um dia ou os mil anos são apenas um dia? Se as passagens do AT e do NT sobre mil anos não está de maneira literal, porque que Ap 20 deveria ser interpretada de forma literal?

7. Jesus alguma vez ensinou algum reino literal? Ele próprio é a chave hermenêutica para os textos bíblico. Como você entenderia esse versículo?
  
Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui (Jo 18:36).

8. Se haverá um reino milenar aqui nessa terra de mil anos, como entender a ressurreição de justos e de ímpios? O texto de João 5:28,29 diz que justos e ímpios ressuscitam na mesma hora. Mas muitos pré milenistas ensinam que, os justos ressuscitam para o milênio e depois os ímpios ressuscitam para o juízo do grande trono branco, para serem julgado e depois esses vão para o inferno. Se é assim, não abriria um espaço de mil anos de uma ressurreição para outra? Ou seja, os justos ressuscitam para o milênio, depois que acaba esse período que vai haver a ressurreição dos ímpios. Agora pergunto a você, isto está de acordo com João 5:28,29?

9. Algum dos apóstolos ensinaram que haveria um reino de mil anos nessa terra? Como você entenderia a passagem de 2Pe 3:10?

Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas.

Esse texto está falando da segunda vinda de Cristo, você pode verificar o próprio contexto da passagem que vai entender isto. Se na segunda vinda a terra e o céu serão destruído pelo fogo, como haverá um milênio? Se tudo foi destruído pelo o fogo?

10. Os que acreditam em um milênio literal, dizem que nesse reino as pessoas terão família, casas e etc. Acabando os mil anos, satanás será solto e fará guerra contra os justos; nesse tempo pessoas serão mortas. Mas como harmonizar esse entendimento com 1Co 15:23-26? A própria passagem de 1Co 15 descreve a segunda vinda de Cristo, onde Ele vai derrotar todos os seus inimigos e depois entregar seu reino ao Pai. E o ultimo inimigo a ser derrotado vai ser a morte, se a morte é derrotado na segunda vinda; como pessoas vão morrer no milênio?

Conclusão.

Bom, até aqui deixo essas perguntas sobre se há de fato ou não um milênio literal nessa terra. Poderia deixar mais perguntas sobre o tema, mas creio que essas 10 estão de bom tamanho para refletir sobre o assunto. Apesar das diferentes linhas escatológicas, sabemos que um dia Cristo há de volta para buscar seu povo.

Referências:
Teologia Puritana 

Sidney Muniz  

domingo, 16 de julho de 2017

ARREBATAMENTO antes ou depois da tribulação ?



Quando comecei a estudar escatologia, o entendimento que me passaram a respeito do arrebatamento, era que a igreja não passaria pela grande tribulação, passei muito tempo acreditando dessa maneira. Hoje no Brasil, a maioria das igrejas seguem essa linha de raciocínio sobre essa questão que é denominada de dispensacionalismo. 

Quero nesse texto, compartilhar as pesquisas que venho fazendo desse assunto e espero que possa contribuir para a sua edificação.

Como Acredita os Pré tribulacionista.

Os que acreditam que a igreja não passa pela tribulação, usam alguns argumentos para provar sua posição. Por exemplo:

Fazem uma separação entre Israel e a Igreja, dizendo que Jesus vem de maneira secreta para a igreja e para Israel na segunda vinda, sendo assim, a vinda de Cristo é dividida em duas partes. De fato nunca ouve na história da igreja uma divisão da vinda do nosso Senhor em duas etapas, só no século 19 que surge tal pensamento. Portanto, os que creem em um arrebatamento antes da tribulação, afirmam que a igreja não passa, porque ela não está destinada a ira divina, por sua vez usam como base ( 1Ts 5:9 ). Já a grande tribulação, será um período de sete anos para Israel, é onde Deus vai se voltar para com essa nação e eles vão conhecer a Jesus como o Messias.

Um Povo ou Dois ?

Mas a pergunta que faço é a seguinte: será que Deus tem dois povos? Dois sistema de salvação? Segundo o dispensacionalismo, Deus tem um plano físico para Israel e um espiritual para a igreja. Há outras pessoas que ensinam no Antigo Testamento o povo era salvo por intermédio da lei e no Novo Testamento pela graça. Mas olhando para o livro de Romanos, nos ensina que Abraão foi justificado pela fé em Jesus (Rm 4:2,3). A salvação sempre foi através da fé na pessoa de Jesus, tanto no Antigo como no Novo Testamento, a diferença é que as pessoas do Velho Testamento acreditavam na promessa do Messias que viria, e nós do Messias que já veio.

Deus sempre teve um só povo e não dois. As escrituras nos ensina isso de forma bem clara, mostrando que Israel é a esposa do Senhor (Is 54:5), assim como a igreja é de Cristo (Ef 5:22-33), Israel é a ovelha de Deus (Sl 74:1), do mesmo modo como a igreja é ovelha de Cristo (Jo 10:1-16). O interessante é que Jesus ensinou apenas que há somente um rebanho e não dois (Jo 10:16). Paulo deixou claro para a igreja de Éfeso que com morte de Cristo e por meio do seu sangue, a parede de separação entre judeus e gentios foi derrubada, agora os dois são um povo somente ( Ef 2:12-16 ).

Os autores do Novo Testamento, aplicavam as passagens que era para Israel à igreja. Quero aqui citar apenas dois exemplos:

e vós sereis para mim reino sacerdotal e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel ( Ex 19:6 ).

Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1Pe 2:9 ).

Esforçai-vos, e animai-vos; não temais, nem vos espanteis diante deles;
porque o SENHOR teu Deus é o que vai contigo; não te deixará nem te desamparará ( Dt 31:6 ).

Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei ( Hb 13:5 ).

Será que esses autores estavam colocando a igreja e Israel como dois povos? Fica evidente que não.

A Igreja sempre passou por Tribulações.

Jesus deixou claro para os seus seguidores, o primeiro requerimento para ser um cristão está em levar a cruz (Mc 8:34). Ele falou que no mundo tereis aflições (Jo 16:33). Deixou evidente que, não é o servo maior que o seu senhor (Jo 13:16). Se perseguiram a Jesus, também perseguiram os seus (Jo 15:20). Paulo escrevendo para a igreja de Filipenses disse: pois vos foi concedido, por amor de Cristo, não somente o crer nele, mas também o padecer por ele ( Fp 1:29 ). Em Atos 14:22 Paulo exorta os cristão: confirmando as almas dos discípulos, exortando-os a perseverarem na fé, dizendo que por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus

Veja que o Apóstolo não fala algumas tribulações, mas muitas no caso. Há vários textos das escrituras que nos mostra o sofrimento da igreja e dos cristãos. Portanto, devemos entender que, quando um crente passa por aflições, ele está se identificando com os sofrimento de Cristo Jesus, isso não quer dizer fracasso ou derrota, porém, um privilégio. Enquanto que para o mundo em que vivemos o sofrimento é entendido como derrota ou fracasso, para nós os cristão é compreendido como honra e vitória, ou podemos dizer que tudo isso é uma dádiva divina! ( Fp 1:29 ).

Olhando para a história da igreja, percebemos que em todos os tempos ela sofreu perseguição e fortíssima até. Então, como os irmãos primitivos entenderia que a igreja não passaria por tribulações, sendo eles prova de tanta crueldade, perseguição e sofrimentos? Será que a igreja de hoje é mais privilegiada do que os nossos irmão primitivos, para ser arrebatada antes da tribulação e não passar por essas aflições? Acredito que não.

O Arrebatamento é após a Grande Tribulação.

Olhando tanto para os ensinos de Jesus como o de Paulo, percebemos que, os mesmos falam de um arrebatamento Pós Tribulacionista.

O apóstolo Paulo quando fala do arrebatamento em 1Ts 4:13-18, ele esta enfatizando a segunda vinda de Cristo. A única ordem de acontecimento nessa passagem é que, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro e em seguida os vivos; contudo, por ocasião da segunda vinda, mas não é ensinado uma espécie de arrebatamento pré tribulacional na própria passagem.

Analisando 2Ts 2:1-3, Paulo refuta os ensinamentos da época sobre o tempo da volta de Jesus, muitos irmãos estavam crendo que o dia do Senhor, havia chegado (Vv2). Em consequência disso, pessoas estavam confusa e crendo que Cristo poderia voltar a qualquer momento, e não queriam mais trabalhar (2Ts 3:10,11). Diante disso então, Paulo ensina para essa igreja que, a volta de nosso Senhor Cristo não acontecerá de forma eminente e destituído de sinais. Pelo contrário, ele nos mostra que o primeiro sinal será apostasia e em seguida, a manifestação do Anticristo.

Os argumentos de Paulo, está em perfeita harmonia com os ensinos de Cristo em Mateus 24. As mesmas palavras que Jesus usou para descrever seu retorno, Paulo utiliza também elas. As expressões, são: Vinda do Senhor como ladrão a noite, som da ultima trombeta, reunião final dos santos pelos anjos, apostasia e falsas maravilhas (Mt 24: 10-12, 29, 30,31; 2Ts 2:1, 3-10). 

Fica claro por meio desses textos, jamais Jesus ia instruir um tipo de vinda e Paulo outra, percebemos que o apóstolo do Senhor seguia perfeitamente os escritos do Mestre.

Em Mateus 24 Jesus fala da sua vinda em poder e glória, mas não encontramos em nenhum momento, Ele afirmando que a igreja não passa pela grande tribulação. No próprio texto de Mateus 24:4-8, Jesus fala dos sinais que precederão a sua volta, mas ele diz que isso é o princípio das dores e não o fim. Seguindo mais adiante Jesus disse: porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.

E se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.

O interessante notar nesse texto é sobre os escolhidos, se a igreja não passa pela grande tribulação, porque que os eleitos estão nela ? E quem são esses eleitos ? Segundo a interpretação de muitos sobre esse assunto, dizem que, esses são o povo de Israel, pelo o simples fatos de Mateus esta direcionando isto aos judeus e de não ter a palavra igreja na passagem. Mas se olharmos o capitulo 18 de Mateus; percebemos de forma bem nítida que a palavra igreja é encontrado lá, e como mostrei anteriormente, Lucas direciona essa mesma passagem aos gentios. E as pessoas que Jesus esta dirigindo suas palavras, são aos próprios apóstolos; e todos eles são parte da igreja. Portanto, os eleitos nesse texto é a igreja de Cristo.


Depois de Jesus descrever bem suas palavras nesse trecho de Mateus, Ele diz: Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados.
Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.
E ele enviará os seus anjos com grande clamor de trombeta, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus ( Mt 24:29-31).


Fica mais do que, claro nessa passagem Cristo falando de uma volta após a tribulação.

Além disso, podemos encontrar em algumas parábola de Jesus, contrariando um arrebatamento pré tribulacional. A prova disso está na explicação da parábola do Joio e do trigo ( Mt 13: 36-46 ), contraria completamente essa ideia. Porque Jesus diz que, o joio e o trigo serão separados um do outro no final dos tempos e não sete anos antes.

Na parábola das dez virgem ( Mt 25:1-13 ), Cristo faz menção a sua vinda. Fala de cinco prudentes e cinco loucas; somente as prudentes entraram para as bodas; e fechou-se as postas. Percebe-se, que não houve segunda chance para aquelas cinco loucas; e nem haverá depois que Cristo voltar para buscar os seus. Portanto, o dia da salvação é hoje como disse o apóstolo Paulo ( 2Co 6:2 ). Jesus afirma duas vezes, no evangelho de João que, vai ressuscitar no último dia e não antes da tribulação ( Jo 6:44,54 ).

Conclusão.

O que podemos concluir com tudo isto, é que a igreja passa pela tribulação. Os ensinos dos apóstolos como o de Cristo, estão em plena concordância sobre esse tema. Vejo que aceitar a igreja não passar pela tribulação, é mais agradável para muitas pessoas, mas quando afirmamos que ela vai enfrentar esse tipo de aflição; não queremos dizer que a mesma não será protegida diante dessa circunstância. João escrevendo em Apocalipse disse:

Porquanto guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam sobre a terra. (Ap 3:10 ).

Devemos entender que essa palavra guardar, não quer dizer para fora do mundo, mas guardar diante das provações. Você pode compreender ela olhado para o povo de Israel quando estava no Egito, eles foram guardando pelo Senhor e das pragas, assim seremos na grande tribulação; a ira de Deus cairá sobre os ímpios e não sobre o povo de Deus. Jesus na sua oração sacerdotal disse: Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno (Jo 17:15 ). Portanto, o guardar de Ap 3:10 é o mesmo que Jesus utilizou nesse texto de João. Que possamos nos lembrar das palavras de Paulo aos Romanos: 


quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?
Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro.
Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou.
Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades,
nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. ( Rm 8:35-39 ).

Sidney Muniz

sábado, 24 de junho de 2017

Haverá um Arrebatamento Secreto ?



​Muitos utilizam a passagem de 1Ts 4:13-18 para ensinar um arrebatamento secreto, afirmando que Jesus viria de forma invisível para a igreja e de forma visível, na segunda vinda, para todo o mundo. Portanto, a segunda vinda de Cristo seria dividida em duas etapas.

​Mas será que o texto ensina tal pensamento? Vamos analisar a passagem:

​"Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também, aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos 
sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras."

​Na igreja de Tessalônica, havia dúvidas quanto aos que morreram em Cristo, pois, naquela cidade, circulavam ensinos filosóficos contrários a ressurreição dos mortos. Os irmãos vinham enfrentando incertezas sobre a situação de seus entes queridos falecidos. Haveria alguma esperança para eles? Essa era uma das dúvidas daquela igreja. Assim, o objetivo de Paulo, nesta carta, foi trazer esperança aos irmãos sobre a vinda de Cristo e esclarecer que a vida não termina com a morte.

​No verso 14, Paulo aborda que, quanto aos que morreram em Cristo, Deus os trará em sua companhia. Em outras palavras, Paulo afirmava que, da mesma forma que o Senhor ressuscitou Jesus dentre os mortos, o mesmo aconteceria com aqueles que morreram em Cristo.

​Já no verso 15, Paulo ensina aos irmãos que os vivos não precederiam os mortos. Nesse mesmo verso, é interessante notar que Paulo menciona a "vinda" do Senhor. Ao analisar o significado dessa palavra, percebe-se que ela não sugere um evento secreto, mas demonstra uma vinda visível, um acontecimento público.

​Analisando os versos seguintes, como o 16 e o 17, percebe-se que Paulo descreve um evento público, e não secreto. Ele relata que o Senhor dará sua palavra de ordem — referindo-se à ressurreição dos mortos por ocasião de sua volta. Depois, menciona que será tocada a trombeta e ouvida a voz do arcanjo, com os mortos ressuscitando para o encontro do Senhor nos ares e, logo em seguida, os vivos. Em todo esse contexto, Paulo refere-se a um evento visível.

​Geralmente, os defensores do arrebatamento secreto argumentam que Mateus 24 refere-se aos judeus e 1Tessalonicenses 4, à igreja. Contudo, se Mateus 24 fosse exclusivo para o povo judeu, por que Lucas escreveria essa mesma passagem aos gentios? Se a tribulação fosse restrita aos judeus, não seria necessário Lucas relatá-la aos não judeus. Muitos alegam que Mateus 24 é para os judeus pelo fato de a palavra "igreja" não constar no texto nem no livro. No entanto, sabemos que o capítulo 18 menciona a igreja e, além disso, Jesus dirige a mensagem aos apóstolos, que são parte do fundamento da igreja (Ef 2:20). Portanto, as Escrituras ensinam uma única segunda vinda (Hb 9:28), e não uma vinda dividida em duas fases.

​Diante disso, podemos concluir que o arrebatamento não pode ser secreto, pois não há amparo bíblico para tal pensamento; o que as Escrituras ensinam é o arrebatamento vinculado à segunda vinda de Cristo. A volta de Jesus não será como nos filmes que mostram pessoas sumindo e carros desgovernados, mas sim um evento glorioso e público.


Sidney Muniz