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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Os Obstáculos e Benefícios da Meditação



Toda prática espiritual tem seus obstáculos, e os seus benefícios para a vida cristã. Precisamos estar conscientes das barreiras que nos impedem de fazer da meditação um hábito espiritual. Todos que pretendem realizar essa pratica piedosa, enfrentarão obstáculos. Por isso, é necessário que conheçamos cada um deles para que possamos lutar e vence-los. Se os cristãos conhecessem os benefícios que há em meditar nas coisas de Deus, não perderiam tempo com as coisas fúteis dessa vida e desejariam mais de Deus sobre suas vidas.

Portanto, o propósito desse texto é mostrar os entraves que surgem sobre os que querem meditar e receber as bênçãos que procedem dessa prática.

1. Os obstáculos da Meditação

Destacaremos aqui alguns obstáculos que impedem o sucesso na meditação:

a) Ignorância

Quando perguntamos a alguns cristãos se eles meditam, os mesmos afirmam: “Que não conseguem concentrar seus pensamentos nisso, porque eles são como a onda do mar que é arremessado de um lado para o outro”. Diante disso, devemos entender que os pensamentos dispersos não isentam o dever do cristão. Geralmente, quando esses argumentos são usados, fica claro a ignorância sobre o dever de meditar. E não somente isto, mas é uma prova clara que não há amor a Deus e a sua palavra. Desse modo, muitos deixam de meditar por falta de conhecimento sobre o assunto e preferem ficar na ignorância.

b) As atividades dessa vida 

Alguns não meditam por falta de conhecimento sobre esse tema, outros colocam como barreira as atividades desse mundo. Alegam que não podem, pois andam ocupados demais com os empreendimentos deste mundo, assim, acham que não podem ter um desempenho com seriedade. A primeira coisa que a pessoa que esta nessa situação deve ter em mente é: a verdadeira espiritualidade, não é praticada somente em momentos de lazer, porém, as atividades desse mundo devem levar-nos mais a meditação. Josué estava na liderança do povo de Deus, era um homem altamente ocupado, mas Deus disse que ele deveria meditar na sua lei de dia e de noite.

c) Sono Espiritual  

Um dos obstáculos ferrenho do homem nesse hábito, é o sono espiritual ou a preguiça espiritual. As pessoas que vivem assim, dizem que têm boas intenções, mas suas almas se inclinam para distante da meditação. O autor de Provérbios afirma: A sonolência cobrirá de trapos o homem (Pv 23:21). É mais do que claro, todo aquele que se lança na sonolência para com a meditação, sofrerá prejuízos quanto a espiritualidade; um deles é a indiferença para com as coisas de Deus. Certo puritano sobre isto disse: “É preferível esmerar-se do que sofrer dores, e jungido com as cordas do dever do que com as cadeias das trevas”. Uma pessoa que vive em uma situação como esta, precisa analisar suas preferências, para assim ver se estão mais inclinadas a Deus ou ao mundo, porque a preguiça espiritual não é defeito físico apenas, mas espiritual.

d) Prazeres e amizades do mundo

Os prazeres e as amizades do mundo têm impedido muitos cristãos de meditarem na palavra de Deus. Muitos não estão dispostos a abandonarem o entretenimento fútil do mundo e nem os amigos. Esses devem lembrar que, “as coisas desse mundo estragam nossa espiritualidade e nos indispõe para com os deveres da meditação”. As coisas de Deus são maiores do que os prazeres do mundo, as coisas desse mundo passam, todavia, aqueles que se empregam na meditação, serão recompensados na eternidade e nessa vida. Lembrando o que Tiago disse: Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tg 4:4).

e) Falta de disposição

A falta de disposição tem sido um grande vilão, que tem roubado a muitos quanto a prática da meditação. Os que estão nessa situação a consideram uma tarefa muito difícil e sobrecarregada, por isso, não se dedicam a estar a sós com Deus. Esses pensamentos, precisam ser purificados com o sangue de Cristo, para que assim, venham se comprometer com a meditação e os meios de graça. O puritano Calamy demonstra, os prejuízos graves de ficar indisposto a meditação: As consequências de omitir-se da meditação são sérias. Conduz ao endurecimento do coração. Por que as promessas e ameaças de Deus causam tão pouca impressão em nós? Porque falhamos em meditar sobre elas. Por que somos tão ingratos a Deus por Suas bênçãos? Por que Suas providências e as aflições falham em produzir santo fruto em nossas vidas? Por que não conseguimos beneficiar-nos com a Palavra e os sacramentos? Por que somos tão prontos a julgar os outros? Por que nos preparamos tão mal para a eternidade? Por que a falta de meditação é tão clamorosa em nós?

2. Os benefícios da meditação

Depois de verificarmos os obstáculos a meditação, agora verificaremos os benefícios que ela trás para a vida cristã, elas são:
  • A meditação promove o temor a Deus, o qual é o principio da sabedoria (Pv 1:8). 
  • A meditação melhora nossa vida de oração, porque através dela nos aperfeiçoaremos nessa prática e abre nosso entendimento para palavra de Deus (Sl 119:18). 
  • A meditação nos leva amar a lei do Senhor e meditar nela todos os dias (Sl 119:97). 
  • A meditação aumenta o arrependimento e a transformação da vida (Sl 119.59) 
  •  A meditação é uma grande amiga para a memória. 
  • A meditação ajuda-nos a valorizarmos o tempo que Deus nos deu para usarmos na sua presença. 
  •  A meditação glorifica a Deus (Sl 49.3). 
  • A meditação é uma poderosa arma contra Satanás e a tentação (Sl 119:11,15; 1Jo 2:14). 
  • A meditação ajuda a prevenir contra pensamentos maus e vãos (Sl 101:3). 
  • A meditação é um forte antídoto contra o pecado e a cura da cobiça. 
  • A meditação nos auxilia nas provações 
  •  A meditação ajuda a entendermos as promessas de Deus contida nas Escrituras. 
  • A meditação traz um entendimento mais profundo da palavra de Deus. 
  • A meditação nos leva adorar a Deus de forma mais teocêntrica. 
  • A meditação nos ajuda a visualizar o culto como uma disciplina a ser cultivada. Ela nos leva a preferir a casa de Deus à nossa própria. 
Esses pontos, são suficientes para nos conscientizarmos dos grandes benefícios da meditação para a espiritualidade cristã.

Conclusão

Portanto, devemos estar cientes dos obstáculos a meditação, devemos conhecer cada uma dessas barreira para as vencermos; bem como dos benefícios que ela traz para vida cristã. Como disse Thomas Brooks, “a meditação é o alimento de suas almas, é o próprio estômago e o calor natural pelos quais as verdades são digeridas. Uma pessoa logo viverá sem seu coração, quando for capaz de obter o bem pelo qual lê sem meditação. ... Não é aquele que lê mais, e sim aquele que medita mais é que provará ser o cristão mais seleto mais suave, mais sábio e mais forte”.
Que possamos sempre fazer da meditação uma disciplina para a vida cristã. Se não queremos ter uma vida cristã superficial, devemos valorizar essa prática.

Sidney Muniz
Notas:
Espiritualidade Reformada – Joel Beeke  
  

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Diretrizes para uma boa Meditação



Para uma boa meditação, é necessário que tenhamos algumas diretrizes. É importante mencionar que essas diretrizes têm como objetivo nos disciplinar nessa prática piedosa, que um dia foi muito valorizada pela igreja, mas hoje sofre um declínio, podemos assim dizer. Portanto, é preciso resgata essa prática que já foi tão utilizada em tempos passados pelo povo de Deus.

Destacaremos aqui, algumas instruções que podem nos ajudar a meditar de uma maneira mais eficiente.

1. Preparação

É necessário nos prepararmos para tal prática, toda meditação requer isso. Eis algumas sugestões que o auxiliarão.

Primeiro, é importante nos limpar das coisas deste mundo, como: suas atividades e diversões, do mesmo modo, das tribulações e agitações interiores. Por isso, é importante orar para que Deus possa nos guardar das companhias externas, mas também das internas; isto é, dos pensamentos mundanos que possam nos impedir de meditar.

Segundo, devemos ter o coração purificado da culpa e da poluição do pecado. Antes de nos engajar na meditação, precisamos ir até Deus com um coração disposto a pedir perdão e alcançar misericórdia; confiando na promessa de que, se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça (1Jo 1:9).

Terceiro, abrace a meditação com seriedade. É fundamental, estarmos cientes de sua importância para nossa vida espiritual, seu poder e excelência. Fazendo dela um hábito, desfrutaremos mais a cada dia da presença de Deus e sentiremos o começo da alegria eterna nessa terra.

2. Frequência

A meditação divina deve ser frequente, é recomendado que ocorra duas vezes ao dia, caso o tempo e as obrigações permitam, mas se não for possível, é importante que seja realizada uma vez ao dia. Diante disso, alguém poderia dizer que não possui tempo para empregar nessa disciplina, porém, isso é apenas uma desculpa para não praticar a meditação. Deus ordenou Josué a meditar no livro da lei de dia e de noite (Js 1:8), se Deus ordenou a Josué, que era um comandante cheio de tarefas a meditar, acaso somos melhores do que esse homem para não realizarmos essa atividade? Da mesma forma que o Senhor o ordenou, assim, Ele também quer que os seus filhos o façam.

Cada vez que fizermos da meditação uma prática diária da nossa vida cristã, mais conheceremos de Deus. A meditação se tornará mais fácil, todavia, se a rejeitarmos mais distante ficaremos de termos uma comunhão mais intima com Deus. Portanto, com a frequência dessa prática, logo contemplaremos seus preciosos frutos.

3. Tempo

É importante estabelecer um tempo para meditar e persistir nesse período. Esse é um dos segredos para sermos bem-sucedido nessa área, alguns não obtém sucesso por que não perseveram. Fazendo isso, nos tornaremos pessoas mais disciplinadas e não negligentes.

Um tempo bom para nos dedicarmos a isso é no período da manhã, onde pode ser usado para uma combinação com o resto do dia. Jesus se levantava de madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava (Mc 1:35). O salmista buscava durante as manhãs: Antecipo-me à alva da manhã e clamo; aguardo com esperança as tuas palavras (Sl 119:147). Entretanto, para alguns, durante a noite pode ser mais proveitoso, devido as atividades do dia estarem concluídas. E assim se sentem mais prontos para meditar na palavra de Deus. Temos um exemplo do Salmista: Bendigo ao Senhor que me aconselha; até os meus rins me ensinam de noite (Sl 16:7). Já outros no final da tarde: Saíra Isaque ao campo à tarde, para meditar; e levantando os olhos, viu, e eis que vinham camelos (Gn 24:63). Escolha um desses horário para que possa buscar a Deus e meditar na Sua palavra. Estabeleça um tempo, como meia hora (exemplo) e medite, assim se aperfeiçoará cada mais; depois de um tempo, mude de meia hora para uma hora.

4. Use o dia do Senhor

Você pode usar o domingo para meditação, esse é o dia que devemos separar para descansarmos de todo trabalho da semana. Esse também foi o dia que Cristo ressuscitou e completou toda a obra da salvação. Podemos meditar nas obras de Cristo, como: sua morte e ressurreição, ascensão, ceia, o sangue de Cristo que purifica todo pecado, seu sofrimento na cruz, seus ensinamentos, sua segunda vinda para buscar o seu povo e etc.

Sobre o que devemos fazer nesse dia de descanso, o Catecismo Puritano ensina:  Como o Sabath deve ser santificado? Resposta: “O Sabath deve ser santificado por um santo repouso por todo aquele dia, mesmo daquelas atividades seculares e recreações que são lícitas em outros dias, e durante este dia, todo o tempo deve ser gasto em exercícios públicos e particulares de adoração a Deus, com exceção daquele tempo que for destinado a praticar obras de necessidade e misericórdia”. Sendo assim, é importante usar esse dia para meditar nas obras de Deus.

5. Escolha um Lugar 

A escolha de um lugar para fazer boas meditações, é de suma importância para quem quer fazer dela uma prática piedosa. Jonathan Edward faz uma declaração sobre o segredo da piedade de Sarah, sua esposa quando ela era adolescente: "Ela quase não se preocupa com outra coisa, exceto meditar Nele....Ela ama estar sozinha, andando pelos campos e bosques, e parece que há alguém invisível sempre conversando com ela". Sarah saia pelos bosques e campos com o intuito de buscar a Deus e meditar. Geralmente, alguns historiadores contam que quando Sarah e Edward namoravam, eles tinham esses momentos de meditações, o lugar escolhido por eles eram os campos e os bosques. O próprio Jonathan, segundo alguns biógrafos, afirma que ele passou uma hora deitado no campo olhando para os céus, chorando e meditando nas obras de Cristo.

Por mais que não tenhamos bosques ou campos a semelhança de Sarah e Jonathan, podemos fazer isto em nosso próprio quarto. Sair para um lugar tranquilo ajuda muito no processo da meditação, apesar de hoje nos acostumarmos com o barulho. Como disse Donald S. White: “Creio que a conveniência do som tem contribuído para a superficialidade espiritual do cristianismo ocidental contemporâneo. O advento dos aparelhos de som acessíveis e portáteis, por exemplo, tem sido uma bênção mista. O lado negativo é que agora não temos que ir a lugar algum sem vozes humanas. Como resultado, ficamos sozinhos com nossos próprios pensamentos e com a voz de Deus com menos frequência”. Os puritanos aconselhavam que a pessoa almejasse a privacidade, silêncio e descanso, dos quais o primeiro exclua qualquer companhia, o segundo, qualquer ruído, e o terceiro, qualquer movimento.

Conclusão    

Essas são as diretrizes que você poderá usar para transformar sua vida cristã e melhorar sua vida de devoção a Deus. Lembrando, é importante nos prepararmos antecipadamente para fazermos boas meditações, limpando nossos corações da culpa e da poluição do pecado. A meditação precisa ser exercida com frequência, persevere nessa disciplina e não a negligencie. Estabeleça um tempo e persista nele para ficar mais disciplinado nessa área. Use o dia do Senhor para meditar nas obras de Cristo ou em outros temas que estão na palavra de Deus. E escolha um lugar para fazer suas meditações, prefira lugares calmos, pois eles o ajudarão com a pratica.

Sidney Muniz

Notas:
Espiritualidade Reformada – Joel Beeke
Catecismo Puritano – Charles Spurgeon
Disciplinas Espirituais – Donald S. White











sábado, 4 de agosto de 2018

A Necessidade da Meditação



Muitos cristãos não praticam a meditação bíblica, porque não conhecem seu valor para a  vida cristã. Quando entendemos a importância da meditação, olhamos para as ordens de Deus sobre outros prismas. Portanto, uma das causas porque muitos cristãos não se envolvem na prática da meditação, é por falta de conhecimento sobre o assunto; outros por acharem que ela tem uma ligação com seitas orientais que a usam para fins errados e sem apoio na Palavra de Deus.

Conhecendo a necessidade da meditação, passaremos a nos mover mais para essa disciplina, que é essencial para todo cristão que quer crescer na graça e no conhecimento de Cristo Jesus. “Creio que conhecendo seis delas, nos ajudará nesse processo”.  

1. Ordenança Bíblica

É a primeira coisa que devemos ter em mente: “a meditação é uma ordenança bíblica”. Só isso, já é mais que suficiente para nos engajarmos na meditação da palavra de Deus, o Senhor nos ordenou, e por isso não podemos ser negligentes.

Moisés ensinou os israelitas a temerem somente a Deus e o adorá-lo, mas não apenas isso, ele instruiu os pais a ensinar as crianças nessa disciplina cristã “em todo tempo” quando ele diz: e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te (Dt 6:7). Diante disso, temos o exemplo de Maria, o texto declara: Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração (Lc 2:19). Maria meditava em Cristo e sua obra messiânica. Paulo aconselha o jovem Timóteo no ministério: Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos (1Tm 4:15). Em que exatamente Paulo recomenda Timóteo? Ele exorta o jovem meditar sobre sua conduta diante das pessoas, na leitura, na prática da palavra, dom e ensino.

Todos esses textos, mostram claramente que devemos meditar nas coisas de Deus. Ele também deixa claro a responsabilidade dos pais de ensinar seus filhos a meditarem, e como temer a Deus e guardar a palavra no coração. Aqui vai uma breve reflexão, sobre a exortação que Paulo fez ao jovem Timóteo. Será que estamos meditando na nossa conduta diante dos homens? Como estamos usando o dom que Deus nos deu, na leitura e prática das Escrituras? 

2. Meditar na Palavra como uma Carta

A palavra de Deus é como uma carta que Ele nos enviou, e nessa carta devemos meditar. Ele a enviou porque ama seu povo, para instruir na verdade, nos livrar dos caminhos maus, para conhecermos seus Atributos e nos relacionarmos melhor com Ele. Cada vez que meditarmos nessa carta que foi enviada com tanto amor, devemos está em alerta sobre aquilo que Ele espera, ou seja, que seus filhos o obedeçam. E sobre aquilo que Deus condena, seja em uma narrativa ou epístola. Esteja atento também quando estiver diante das Escrituras, pois você está diante da presença do Deus que fez os céus e a terra; considere com toda reverência que aquelas palavras pertencem ao próprio Deus. Analise as palavras de bênçãos que Deus concede aos que o obedecem, sua palavra e os castigos por causa da desobediência, assim estará crescendo a imagem de Cristo: E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens (Lc 2:52).

3. A meditação deixa o cristão fundamentado

Ninguém pode se tornar um cristão solido sem meditar, um cristão que não medita é como o homem insensato que edificou sua casa na areia, desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda (Mt 7:26,27). Veja as palavras de Thomas Watson sobre isto: “Um cristão sem meditação é como um soldado sem armas, ou um operário sem ferramentas. Sem meditação, as verdades de Deus não permaneceriam conosco; o coração é duro e a memória, efêmera; e sem meditação tudo está perdido.”

Todo aquele que professa sua fé na pessoa de Jesus, deve fundamentar seu cristianismo na meditação. Assim como não existe soldados sem armas para guerra, também não há cristão consistente sem a prática da meditação. Se você não medita nas verdades da palavra de Deus quando ler, há uma grande probabilidade de sua vida cristã ser superficial, será que é isso que Deus quer para seus filhos? esse cristianismo fraco? Torne sua fé sólida através da meditação!

4. Sem meditação a palavra pregada falhará

Muitos cristãos possuem o costume de ir ao culto ouvir a palavra de Deus, mas poucos praticam o hábito de meditar no sermão pregado aos domingos. Precisamos criar esse hábito após os cultos, assim os puritanos instruíam suas famílias depois do culto; eles se preparavam antes do culto fazendo orações para que Deus o abençoasse ao ouvir a palavra de Deus e pelo pregador para que Deus usasse na ministração. Saindo do culto, a família se reunia para jantar e lembrar dos pontos pregado na mensagem pelo o pastor da congregação. Assim, toda a família meditava na palavra de Deus. Thomas White disse: Os sermões são, particularmente, férteis campos para meditação. “É melhor ouvir apenas um sermão e meditar sobre seu conteúdo, do que ouvir dois sermões e não meditar sobre nenhum deles.”

Não devemos usar somente a leitura da palavra de Deus para meditar, os sermões não podem ficar fora disso tudo. É necessário nos disciplinarmos a cada domingo depois do culto, para meditar no sermão pregado, porque ele é um campo fértil para a meditação. (Isso quando a palavra de Deus é explanada e aplicada de forma correta).

5. Sem meditação nossas orações serão menos efetivas

A vida de oração de todo crente, depende da forma como ele pratica a meditação. Com sua ausência, nossas orações serão menos efetivas, ou seja, seremos homens fracos de oração. Para termos uma vida de oração sólida, é preciso fazer da meditação um dever e uma necessidade a vida cristã. Sobre isso os puritanos declaravam: “A meditação é uma sorte de dever central entre palavra e oração, e se relaciona com ambas. A palavra alimenta a meditação e a meditação alimenta a oração; devemos ouvir para que não erremos e meditar para que não sejamos estéreis. Esses deveres devem sempre ir de mãos dadas; a meditação deve seguir a audição e preceder a oração.”

É impossível meditar nas verdades divinas e não levar uma vida de oração. Porque o fruto da meditação junto com a palavra, é a oração. Homens de Deus como Davi, era forte na oração porque meditava na palavra de Deus, Salmos nos mostra como Davi fala da meditação na lei do Senhor e na forma de orar a Deus. Diante disso, temos um exemplo maior, que é Cristo, nos evangelhos encontramos Ele se retirando para buscar a Deus em oração.

6. Sem meditação somos incapazes de defender a verdade

Muitos cristãos são fracos na área de apologética, justamente porque não empregam tempo na meditação. Enquanto não voltarmos para essa prática, seremos incapazes de defender a verdade divina. Como Pedro disse: Antes santificai a Cristo, como SENHOR, em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós (1Pe 3:15). Como vamos responder com mansidão e termos sobre a razão da esperança que há em nós, se não estamos dispostos a empregar tempo em meditar na palavra de Deus? Esse texto jamais será cumprido desassociado da meditação. 

Não sabemos defender o nosso cristianismo porque falhamos na disciplina da meditação, não amamos a verdade, estamos mais interessados nas coisas desse mundo do que nas coisas de Deus e por último; é porque não amamos os seus mandamentos. “Jesus quando foi tentando pelo diabo no deserto, defendeu de forma perfeita sua crença em Deus e venceu satanás no deserto”. Portanto, se queremos demonstrar nosso amor a Deus, devemos defender suas verdades, e como fazer isso? Por meio da meditação.  

Conclusão

Assim como uma árvore é conhecida pelos frutos, assim conhecemos um cristão pela prática da meditação. Não podemos ter uma fé firme sem esse hábito, por meio dele teremos um cristianismo mais sólido. Sem a mesma, não seremos produtivos na oração, ouvindo o sermão pregado aos domingos e na leitura das Escritura Sagrada.

Portanto, para que haja essa prática, é necessário conhecer a ordem divina sobre isso e a sua necessidade. Desenvolva esse hábito, não se conforme com uma vida superficial, mas queira crescer na graça de Deus; e uma das formas de conseguir isso é utilizando a meditação.  

Sidney Muniz
Notas:
Prática da Piedade – Lewis Bayly
Espiritualidade Reformada – Joel Beeke  














sábado, 28 de julho de 2018

A Prática da Meditação


Falar em meditação bíblica para muitos hoje soa estranho, porque a maioria tem a prática como um costume de seitas orientais. Uma característica ruim de nossa cultura moderna, é que a meditação passou a ser mais identificada como sistema não cristão de pensamento, do que com o cristianismo bíblico. Mesmo dentre os crentes, a prática da meditação é muitas vezes associada a yoga, meditação transcendental, terapia de relaxamento ou Movimento Nova Era. Por ser tão proeminente em muitos grupos e movimentos espiritualmente enganosos, alguns cristãos se sentem desconfortáveis com respeito à meditação e desconfiados daqueles que se envolvem nela. Mas devemos nos lembrar que a meditação é tanto ordenada por Deus, quanto exemplificada por homens Piedosos nas Escrituras.

O objetivo desse texto, é deixar alguns princípios bíblicos, que auxiliam na meditação da palavra de Deus e ressaltam a sua importância para vida cristã.

Definição

Para entrarmos mais afundo neste assunto, precisamos definir o que é meditação. A palavra meditar ou ponderar significa “pensar sobre” ou “refletir”. “Enquanto eu meditava, ateou-se o fogo”, disse Davi (Sl 39.3). Significa ainda “murmurar, sussurrar, fazer ruído com a boca. Implica o que expressamos por meio de um solilóquio ou falar consigo mesmo”. Esse tipo de meditação envolvia recitar para si, em espaçado murmúrio, passagens da Escritura que alguém armazenara na memória.

Enquanto as seitas orientais usam a meditação para esvaziar a mente, os cristãos a usam para encher a mente com a palavra de Deus.

Tipos de meditações

Existem alguns tipos de meditações, que são:

Primeiro, meditação formal. Implica assuntos importantes. Por exemplo, os filósofos meditam sobre conceitos tais como a matéria e o universo, enquanto os teólogos refletem sobre Deus, os decretos eternos e a vontade do homem.

Segundo, meditação ocasional. É relativamente fácil para um crente, porque ela pode ser praticada em qualquer tempo, em qualquer lugar e entre quaisquer pessoas. Uma pessoa espiritualmente ponderada pode aprender rápido como espiritualizar as coisas naturais, pois seus desejos estão em oposição à mente profana, que carnaliza até mesmo as coisas espirituais.

Terceiro, meditação diária. Esse tipo envolve tempos estabelecidos. A meditação diária e deliberada ocorre “quando alguém separa algum tempo e entra em sua sala privada, ou numa caminhada solitária, e então “medita solene e deliberadamente sobre as coisas celestiais”.

Passagens bíblicas referente a meditação

Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido (Js 1:8).

Essa foi a ordem do Senhor para Josué ser bem-sucedido em tudo o que ele fizesse, a meditação. “Essa prática o Senhor não estabeleceu que fosse apenas um momento na sua vida, mas todo o dia ele deveria meditar na lei de Deus”. Se o mesmo meditasse e praticasse o que meditou, todo seu caminho seria próspero. É evidente que se praticarmos a meditação, seremos pessoas prósperas, não no sentido material, mas espiritualmente, em nossa vida cristã. Como disse Donald S. Whitney:
O verdadeiro êxito é prometido àqueles que meditam na Palavra de Deus, que pensam profundamente nas Escrituras, não apenas uma vez ao dia, mas em momentos no decorrer do dia e da noite. Eles meditam tanto, que suas conversas são saturadas das Escrituras. O fruto da meditação deles é a ação. Eles fazem o que encontram escrito na Palavra de Deus, e, como resultado, Deus prospera o caminho deles e lhes concede êxito.
Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores; antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite. Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará (Sl 1:1-3).

Aqui podemos perceber que o salmista compara a vida espiritual do crente a uma árvore. Para que essa árvore cresça e dê seus respectivos frutos, é imprescindível a prática da meditação. Meditar na palavra de Deus nos leva absolvermos com mais profundidade as Escrituras Sagrada, ela é como um solo que abre para a filtragem da alma. Assim, meditar nas coisas divinas nos leva ao crescimento espiritual.

Métodos de meditação  

A) Selecionar uma passagem ou temas bíblicos

Você pode selecionar uma passagem da Bíblia para fazer sua meditação, pode ser um versículo ou um capitulo da Bíblia. Diante disso, materiais como concordância, dicionários bíblicos, mapas e traduções diferente, ajudará você nesse processo. Meditar através de versículos memorizados é outra alternativa. Escolher temas é outro método muito importante, os puritanos indicavam temas como:
A pecaminosidade do pecado e nosso pecado pessoal. A corrupção e enganosidade do coração. A queda em Adão e alienação de Deus. A vaidade do homem. O valor e imortalidade da alma. A fragilidade do corpo. A incerteza dos confortos terrenos. O pecado da cobiça. A paixão e morte de Cristo. O amor de Cristo. A pessoa de Cristo. O mistério e maravilha do evangelho. A natureza de Cristo. Os ofícios de Cristo. A vida de Cristo. Os estados de Cristo. As promessas de Deus. Autoexame para evidências experimentais da graça. Os ricos privilégios dos crentes. A graça e a pessoa do Espírito Santo. Os benefícios da fé. Santificação. Oração. Os mandamentos de Deus. As admoestações e ameaças de Deus. O perigo da apostasia. O pequeno número dos salvos. Perigos espirituais. Amor, alegria, esperança. O Domingo. Renúncia.
Todos esses temas podem ser usados para uma boa meditação, são temas bem práticos.

 B) Escrever com suas próprias palavras

Parafrasear uma passagem bíblica com o que entendeu do texto é uma forma de meditação. Esse é um método que ajuda muitos a compreenderem as passagens da Bíblia, é uma forma produtiva que está ao seu dispor. O método também pode ser usado com livros, assim abrirá mais seu entendimento sobre o que está lendo, como também aperfeiçoará na prática da meditação.

C) Ore sobre o texto ou tema a ser meditado  
  
Salmo 119:18 diz: "Abre os meus olhos para que eu veja as maravilhas da tua lei". Devemos orar sempre que formos meditar nas coisas divinas, pedindo que Ele nos abra o entendimento para entendermos as verdades da Sua palavra, sempre pedindo a direção do Espirito Santo e iluminação para nos guiar em toda verdade (Jo 14:26).

É importante orar antes da meditação, pedindo a Deus para que nenhum empecilho possa nos impedir de meditarmos. Sobre isso os puritanos orientavam:
Limpe seu coração das coisas deste mundo – sua atividade e diversões, do mesmo modo que das tribulações e agitações interiores. “Ore a Deus não só para guardá-lo de companhia externa, mas também de companhia íntima; isto é, que o guarde dos pensamentos vãos, mundanos e dispersivos.” Tenha seu coração purificado da culpa e da poluição do pecado, e despertado pelo fervoroso amor pelas coisas espirituais. Entesoure um rico depósito de textos bíblicos e verdades espirituais. Busque a graça de abraçar a confissão de Davi no Salmo 119.11: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.”
Thomas Watson também orienta: “Ore sobre suas meditações. A oração santifica cada coisa; sem oração, elas são apenas meditações profanas; a oração ata a meditação na alma; oração é um nó feito no final da meditação que não a deixa escapar; ore para que Deus mantenha para sempre essas santas meditações em sua mente, para que o aroma delas permaneça perenemente em seu coração.”

A meditação deve sempre envolver duas pessoas: o cristão e o Espírito Santo. Orar a respeito de um texto é convidar o Espírito Santo a manter Sua luz divina sobre as palavras das Escrituras para mostrar a você aquilo que você não consegue ver sem Ele. Sempre que separar um texto da palavra para fazer sua meditação, leia primeiro o texto, ou ore primeiro, a ideia é no momento que estiver apresentando a passagem a Deus em oração; o Espirito Santo te dará a iluminação dele.

Conclusão

Até aqui apresentamos alguns métodos de meditação, existem outros que também podem ser usados para o crescimento espiritual.

Devemos ter em mente que, a meditação é uma ordenança de Deus para praticarmos, se não praticamos, é porque não levamos em conta a palavra do Criador. Temos de dá atenção a leitura da palavra de Deus e a oração, mas não podemos nos esquecer da prática da meditação. Joel Beeke fala algo importante sobre isto: 
Em certa época, a igreja cristã esteve profundamente engajada em meditação bíblica, o que envolvia separação do pecado e comunhão com Deus e com o próximo. Quando falhamos em meditar, desconsideramos a Deus e Sua Palavra, e revelamos que não somos piedosos. 
Que possamos fazer da meditação bíblica, uma disciplina cristã, para vivermos uma vida piedosa, segundo a imagem de Cristo a cada dia.

Sidney Muniz
Notas:
Espiritualidade Reformada – Joel Beeke
Disciplinas Espirituais para a Vida Cristã – Donald S. Whitney