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segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Oração de Neemias — Parte 1



Neemias foi um grande servo de Deus, um homem de oração, foi governador de Jerusalém e liderou uma grande restauração dos muros da cidade destruída pelo império babilônico. Podemos tirar lições valiosas de suas orações para a prática cristã. A oração está registrada em Neemias 1 e é um modelo para padronizar as nossas orações. Ele começa com adoração, confessa os seus pecados e os pecados de sua nação, implora promessas do Salvador, menciona misericórdias anteriores e suplica pelo perdão misericordioso. Portanto, o objetivo desse texto, nessa primeira parte, é fazer uma análise objetiva e resumida da estrutura da oração de Neemias no primeiro capítulo do livro, usando como exemplo a estrutura da sua oração para a devoção diária. 

Quem foi Neemias?

Neemias, cujo nome em hebraico, significa “Yahweh consola”, foi copeiro do rei Artaxerxes (Ne 1:11) durante o cativeiro babilônico, em Susã  (Ne 2:1), uma posição de alta responsabilidade e honra. A tarefa de um copeiro real era servir vinho ao rei, provando-o na presença do rei antes de servi-lo para demonstrar que não estava envenenado. O texto não revela a sua genealogia, mas descreve como filho de Hacalias (Né 1:1), ele tinha um irmão por nome de Hanani (Ne 7:2). Tendo ouvido falar sobre a situação deplorável em que se encontrava a cidade de Jerusalém, apresentou uma petição ao rei com a permissão de reconstruir os muros de Jerusalém. Esse pedido foi concedido e Neemias recebeu o título de Governador (Ne 2.1-10).

Contexto da oração

O livro de Neemias foi inscrito após o exílio babilônico, ele se encontrava na cidade de Susã (Ne 2:1). O povo de Deus havia desobedecido às leis do Senhor, Ele enviava seus profetas, mas o povo continuava na desobediência. Com isso, o juízo de Deus veio sobre eles. Neemias recebeu a notícia de que os muros de Jerusalém estavam em ruínas e seus portões queimados. O povo de Deus se encontrava em desgraça e miséria (Ne 1:3). Neemias fica entristecido, pois sabia que os muros eram símbolos de proteção contra os inimigos. Agora, a cidade era motivo de chacota e desprezo das nações vizinhas. Diante disso, Neemias não se deixa vencer pelo desânimo, mas começa orar ao Senhor. 

Estrutura da oração de Neemias

1. Adoração ‬

“E disse: ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande e temível” (Ne 1:5). 

Neemias começa sua oração adorando a Deus, reconhecendo a transcendência e imanência de Deus. Neemias reconheceu que Deus não era apenas o Deus do seu povo, mas também como o Deus criador. Essa oração nos ensina que, ao orar a Deus, devemos começar adorando a Ele, reconhecendo sua grandeza, soberania, providência divina e seus atributos. As orações dos servos de Deus estão recheadas de adoração a Deus, basta olhar os Salmos, onde Deus é chamado de fortaleza, refugio, poderoso e muito mais exemplos como esses. Nenhuma oração da Antiga e Nova Aliança começava sem primeiro adorar a Deus. Portanto, ao orar a Deus, comece engrandecendo sua majestade, louvando e o adorando pelo que Ele é. 

2. Confissão de pecados

“Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para acudires à oração do teu servo, que hoje faço à tua presença, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos; e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, os quais temos cometido contra ti; pois eu e a casa de meu pai temos pecado. Temos procedido de todo corruptamente contra ti, não temos guardado os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo” (Ne 1:6-7).

Outro ponto que Neemias aborda em sua oração é a confissão de pecados. Ele faz uma confissão recordando os últimos pecados de Israel, assim como seus próprios pecados e de sua família. Neemias entende que a situação em que Israel se encontrava era devido aos seus pecados, eles haviam abandonado a lei do Senhor e rejeitado os profetas que falavam em nome de Deus. Um ponto importante para se observar nesta oração, está no fato de Neemias não se desculpar ou remeter os pecados às gerações passadas. Ele não entra no jogo de distribuir a culpa para os outros, porém reconhece que desobedeceu à lei de Deus registrada no pentateuco (Ne 1:7). 

Essa confissão de Neemias revela duas coisas. Primeiro, sua humildade. Ele se identifica com seus compatriotas, com seus pecados e sofrimentos. Neemias sai do conforto dos palácios para tirar o povo da miséria em que se encontrava, isso não te lembra de Cristo? Ele abdicou da sua glória para morrer pelos teus pecados e te dar a vida eterna. Segundo, coragem. Neemias não agiu por impulso, mas coragem. Ele passou quatro meses em oração e jejum para se apresentar diante do rei. Segundo os estudiosos do Antigo Testamento, Neemias conhecia bem o risco que enfrentava, poderia perder a vida se mostrasse tristeza diante do rei, isso seria entendido como um insulto à majestade do rei. Nada disso o impediu de tomar uma atitude pelo bem-estar do seu povo. Além disso, ele estava disposto a viajar até Jerusalém, lugar de destruição e miséria, longe da proteção do palácio.

Essa parte dessa oração nos ensina que a confissão de pecados deve ser uma prática em nossas orações. Necessitamos a cada dia confessar nossos pecados diante de Deus, pois quebramos seus mandamentos. A exemplo de Neemias que ofereceu uma oração sacerdotal, precisamos levar a Deus os pecados daqueles que estão em nossa volta.

3. Promessas 

Lembra-te da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: se transgredirdes, eu vos espalharei por entre os povos; mas, se vos converterdes a mim, e guardardes os meus mandamentos, e os cumprirdes, então, ainda que os vossos rejeitados estejam pelas extremidades do céu, de lá os ajuntarei e os trarei para o lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome (Ne 1:8-9).

Após a confissão de pecados, Neemias lembra das promessas de Deus. Sua oração está fundamentada na palavra de Deus, pois o Senhor havia alertado o povo por intermédio de Moisés que, se eles transgredissem os mandamentos, seriam levados para uma terra distante, isto é, para o exílio (Lv 26:33; Dt 4:25-27; 28:64). Mas Deus havia falado também que, se eles arrependessem de seus pecados, o Senhor iria restaurá-los para a sua terra e abençoá-los (Dt 30:1-5). Neemias confia inteiramente nas promessas de Deus, sabia que o Senhor é poderoso para cumprir a sua palavra. O que ele estava simplesmente pedindo a Deus era sobre a restauração do povo de Deus, que seria impossível sem a misericórdia do Senhor. 

As promessas de Deus foram uma fonte de esperança para Neemias, ele se agarrou a elas para a mudança da qual o povo necessitava. Se não tivesse o conhecimento das promessas divinas, a mudança seria impossível para a nação. Assim, essa parte da oração de Neemias nos ensina que precisamos crer nas promessas de Deus, elas adorçam nossas amargas aflições, confirma nossa frágil e vacilante fé em meio às provações da vida.

4. Oração pessoal

Ah! Senhor, estejam, pois, atentos os teus ouvidos à oração do teu servo e à dos teus servos que se agradam de temer o teu nome; concede que seja bem-sucedido hoje o teu servo e dá-lhe mercê perante este homem. Nesse tempo, eu era copeiro do rei (Ne 1:11).

Por último, Neemias encerra sua oração com um pedido pessoal. O pedido pessoal de Neemias nesta estrutura da oração, entra por último. Ele começa adorando a Deus, faz confissão de pecados e confia nas promessas de Deus. As necessidades de seus compatriotas estavam em primeiro lugar, em detrimento da sua. Isso demonstra que a sua oração não era egoísta, mas que estava voltada para as necessidades de seus irmãos. Dessa forma, essa oração tem muito a nos ensinar a olharmos para as necessidades de nossos irmãos na fé, família, missionários e outros. Muitos de nossos pedidos são apenas pessoais e não estão voltados para o próximo. Sobre isso, Tiago alertou: Cobiçais e nada tendes; matais, e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres (Tg 4:2-3). 

Conclusão

A oração de Neemias tem muito a nos ensinar sobre como orar a Deus. Ele orou a Deus com humildade, coragem e fé diante do Criador. Seguiu uma estrutura simples de oração, mas que foi muito prática para a situação em que ele se encontrava no momento. Portanto, essa oração é um modelo que podemos aplicar em nossas orações a Deus, seguindo sua estrutura. Neemias orou a Deus seguindo as Escrituras, aplicando as verdades divinas em suas orações. Que essa oração sirva de exemplo para incluímos em nossas devoções diárias diante do nosso Deus. 


Sidney Muniz


Fonte:

Comentário Champlin - Antigo e Novo Testamento 

Comentário da Bíblia Shedd

Teologia Puritana 

Homens de oração - Edward M. Bounds


domingo, 9 de junho de 2024

Os benefícios de esperar em Deus

 

O Salmo 40 nos ensina os benefícios de esperar em Deus. Apesar de ser um Salmo de ações de graças onde Davi pede ajuda de Deus por livramento, ele tem lições valiosas a nos ensinar de como aguardar e confiar em Deus. Portanto, vejamos alguns desses benefícios que Davi compôs nesse belíssimo cântico ao Senhor.

O que significa esperar em Deus?

“Esperei com paciência pelo Senhor” (Sl 40:1).

O dicionário português define a palavra esperar como: “estar à espera, ter esperança, contar com e aguardar.”[1] Em outras traduções “Esperei com paciência pelo Senhor” fica: “Esperei confiantemente pelo Senhor.”[2] Diante disso, esperar em Deus significa confiarmos nEle, confiar na sua poderosa providência e soberania; ter esperança nas suas promessas que não falham para com o seu povo.

Oração respondida

“Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor” (Sl 40:1).

O primeiro benefício de quem espera em Deus é a sua oração respondida. O salmista estava passando por certas adversidades em sua vida, mas ele esperou no Senhor, perseverando em oração. Cada vez que Davi orou a Deus, obteve respostas. A Bíblia nos ensina: “sede pacientes na tribulação, perseverai na oração” (Rm 12:12), para igreja de Tessalônica, Paulo disse: “orai sem cessar” (1Ts 5:17). Quando esperamos em Deus, mesmo diante das tribulações, Deus no tempo certo responde nossas orações. Por mais que oramos a Ele e suas respostas não são de imediato, devemos aguardar firme em oração, confiando que Deus cuida de seus filhos.

Libertação

“Tirou-me de um lago horrível, de um charco de lodo; pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos” (Sl 40:2).

O segundo benefício de quem espera em Deus é a libertação. Nessa parte do salmo, Davi relata que Deus o tirou de um poço. Literalmente, esse poço refere-se a um lago horrível, um poço estrondoso, cujo fundo continha um charco de lodo (um pântano, ou mesmo areia movediça).”[3] Talvez aqui, Davi estivesse enfermo e ameaçado de morte; ou então, visto que o salmo provavelmente é um salmo régio, ele pode ter sentido a ameaça de morte em batalha.[4] Davi esperou pacientemente no Senhor, Deus ouviu sua oração e o libertou das dificuldades que oprimiam. Em resposta à sua oração, Deus colocou seus pés sobre uma rocha, isto é, em um local seguro e de descanso. Assim, quando esperamos no Senhor, no tempo certo, Ele vem em nosso socorro e nos liberta das tribulações que estamos enfrentando, firmando nossos passos na pessoa de Cristo, o qual é a rocha inabalável.

Adoração

“E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos verão essas coisas, temerão e confiarão no Senhor” (Sl 40:3).

O terceiro benefício de quem espera em Deus é adoração. O salmista louva a Deus por responder à sua oração. Davi não havia buscado refúgio nos deuses que circulavam o território israelita, porém, depositou sua confiança em Deus e nEle esperou pacientemente. Esperar em Deus jamais será em vão, todos que confiam no Senhor em nenhum momento serão desamparados. Ana pediu um filho ao Senhor diante da dificuldade que estava enfrentando (1Sm 1:9-18), Deus ouviu sua oração, ela esperou e Deus abençoou grandemente (1Sm 1:19,20). Ana fez um cântico de adoração a Deus (1Sm 2:1-10). Em suma, esperar em Deus nos leva uma vida de adoração a Ele, por isso que as tribulações têm sua importância para a vida cristã, por meio dela louvamos ao Senhor.

Bem aventurado

Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança e não pende para os arrogantes, nem para os afeiçoados à mentira” (Sl 40:4).

O terceiro benefício de quem espera em Deus é a bem-aventurança. A palavra bem-aventurado significa “feliz”; ser alguém “bem-aventurado” é desfrutar do favor e da graça especial de Deus.[5] Davi havia confiado inteiramente no Senhor, não depositou sua confiança em deuses ou homens. Aqueles que esperam no Senhor, serão bem-aventurados, isto é, felizes. Esses, serão beneficiados por depositarem sua confiança em Deus. Dessa forma, Davi nos ensina que diante de certas dificuldades, podemos buscar a solução para os nossos problemas em fontes erradas. Por outro lado, quando esperamos no Senhor confiadamente, trilhamos o caminho da bem-aventurança.  

Proclamar

“Proclamei as boas-novas de justiça na grande congregação; jamais cerrei os lábios, tu o sabes, Senhor “(Sl 40:9).

O último benefício de quem espera em Deus é a proclamação. Davi, após receber resposta de sua oração, demonstra o desejo de proclamar as boas novas na congregação de Israel. Aqueles que esperam em Deus, o Senhor abençoa. Essas bênçãos de Deus nos levam a agradecer, proclamar e reconhecer a misericórdia do Senhor em nossas vidas. Logo, as bênçãos de Deus em nossas vidas devem nos levar a testemunhar para as outras pessoas o amor de Deus, declarando que Ele cuida do seu povo. Tem você proclamado para seus colegas de trabalho, escola ou família as bênçãos do Senhor?

Conclusão

Portanto, Davi no Salmo 40 nos ensina que temos vários benefícios ao esperar em Deus. Quando esperamos em Deus, confiamos inteiramente na sua providência, sabendo que Ele virá em nosso socorro no tempo certo. Essa espera, muda completamente nossas vidas, contemplamos de uma forma mais ampla sua bendita misericórdia.

 

Sidney Muniz   

 


[1] Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

[2] Bíblia Online

[3] Comentário Biblico Beacon

[4] Comentário Bíblia de Genebra

[5] Ibidem


 

sábado, 19 de fevereiro de 2022

5 Orações não respondidas na Bíblia



Você já orou em um determinado momento de sua vida e não recebeu resposta de Deus? Na Bíblia, encontramos o Senhor não respondendo algumas orações, por conta de certas atitudes de seus filhos. Talvez, você tem cometido alguns desses erros e não tem encontrado respostas em suas orações. Portanto, vejamos 5 orações que Deus não responde.

1. Egoísmo

  Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres (Tg 4:3).

A primeira oração que Deus não responde, a egoísta. Tiago ao escrever essa carta para aquela igreja, reprovou completamente o comportamento daqueles irmãos. Entre eles havia contendas, invejas, cobiças e egoísmo. Por esse motivo, Deus não estava respondendo as suas orações. Logo, Deus sempre rejeitará nossas petições se elas forem acompanhadas de egoísmos, principalmente se eles tiverem o objetivo de satisfazer mais com as coisas desse mundo.

2. Falta de arrependimento

Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; e o seu ouvido não está surdo, para não poder ouvir. Mas as iniquidades de vocês fazem separação entre vocês e o seu Deus; e os pecados que vocês cometem o levam a esconder o seu rosto de vocês, para não ouvir os seus pedidos (Is 59:1,2).

Segunda oração que Deus não responde, quando há falta de arrependimento. O pecado faz separação entre o homem e Deus, quando mantemos pecados no coração, Deus não responde nossas orações. Sabemos por meio Bíblia que o ouvido de Deus não está surdo para ouvir os nossos pedidos, porém, a falta de arrependimento e reconhecimento do pecado leva o Senhor a não atender a nossa oração.

3. Dúvida

Se, porém, algum de vocês necessita de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá com generosidade e sem reprovações, e ela lhe será concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando, pois, o que dúvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento (Tiago 1:5,6).

Terceira oração que Deus não responde, a com dúvida. Jesus disse que a fé remove montanhas (Mc 11:23), o autor de Hebreus declara que sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11:6). A dúvida, por outro lado, é o oposto de tudo isso, ela não leva há uma estabilidade como a fé. Dessa forma, a dúvida no coração leva a falta de fé em Deus na oração.

4. Falta de honra entre os cônjuges

Maridos, vocês, igualmente, vivam comum do lar com discernimento, dando honra à esposa, por ser a parte mais frágil e por ser coerdeira da mesma graça da vida. Agindo assim, as orações de vocês não serão interrompidas (1Pe 3:7).

Quarta oração que Deus não responde. Quando há falta de honra entre os cônjuges. Nessa passagem, Pedro estava chamando atenção aos casais daquela igreja a viverem em união. Se um casal não viver em harmonia no lar, mas se desrespeitando ou um humilhando ao outro, suas orações serão interrompidas. Em resumo, Deus leva o casamento a sério, ele deve ser respeitado e honrado, porque Deus não responde à oração de um casal sem união no lar.

5. Ignorar os conselhos de Deus

Então eles me invocarão, mas eu não responderei; sairão à minha procura, porém não me encontrarão. Porque odiaram o conhecimento e não preferiram o temor do Senhor; não quiseram o meu conselho e desprezaram toda a minha repreensão. Portanto, comerão do fruto da sua conduta e dos seus próprios conselhos se fartarão (Pv 1:28-31).

Quinta oração que Deus não responde, a que ignora os conselhos de Deus. Quando ignoramos os conselhos de Deus, desprezando a Sua sabedoria e temor no coração, o Senhor não responde nossas orações. Deus rejeitou várias orações de Israel na Antiga Aliança por conta do seu desprezo aos conselhos de Deus. Enfim, se desprezarmos a palavra de Deus, nossas petições não serão atendidas.

Conclusão

Portanto, essas são as 5 orações na Bíblia que Deus não responde. Diante disso, é importante refletimos o porquê de Deus não responder nossas orações. Será que não estamos cometendo alguns desses 5 erros? Se não, saiba que Deus no tempo determinado por Ele, responderá suas orações!

 

Sidney Muniz  


 

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Como orar e receber respostas de Deus

 


Jesus ensinou no Evangelho de Mateus como orar e receber respostas nas orações. Ele disse: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á” (Mt 7:7,8). Jesus ensinou por meio dessas palavras como orar de forma eficaz e obter respostas de Deus na oração.

Portanto, o objetivo do texto é analisar de forma objetiva o que Jesus queria dizer ao falar: pedir, buscar e bater.

Pedir

A princípio, Jesus ensinou que para receber respostas nas orações, a primeira atitude é pedir. E de que forma um cristão deve pedir a Deus? Ele deve pedir com fé, Jesus disse:

Porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele” (Mc 11:23).

Deus responde as nossas orações quando pedimos com fé e não duvidamos em nosso coração. “Porque a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb11:1). Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11:6). Portanto, como disse Charles Spurgeon: “sendo assim, tendo recordado essas coisas, a declaração de nosso Senhor não possui outro requisito senão esse, todo aquele que pede, recebe”.[1]

Buscar

Após Jesus dar ênfase sobre pedir, ele demonstra a importância de buscar. Se por um lado pedimos algo e não recebemos resposta, o importante diante disso é persistir em buscar mais a Deus. A Bíblia nos ensina a buscar a Deus de todo o coração:

Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29:13).

Sobre “buscar” a Deus, o puritano Matthew Henry afirmou: “busquem como se busca uma coisa de valor que perdemos; ou como o mercador que procura por pérolas boas”. [2] Dessa forma, se Deus ainda não respondeu a nossa oração, necessário é buscarmos mais ao Senhor.

Bater

Por último, Jesus ensinou que mesmo pedindo, buscando e não encontrando respostas, a solução é bater na porta. O que Jesus estava se referindo sobre “bater na porta”? John Bunyan explica: “eu te digo: continue a bater, chorar, gemer e prantear; se Ele se não levantar para te dar, porque és seu amigo, ao menos por causa da tua importunação, levantar-se-á para dar-te tudo o que precisares”.[3]

Se o Senhor ainda não respondeu a sua oração, continue perseverando, não pare de bater na porta, mesmo que seja de forma agonizante ou desesperada. Mas a promessa é que todas essas orações serão recompensadas”[4] Enfim, Jesus ensinou nas suas parábolas que devemos perseverarmos sempre na oração para recebermos respostas (Lc 18:1-8; Lc 11:5-8).

Conclusão

Jesus nos ensina que pedir, buscar e bater, são basicamente três estágios da oração. Como disse Bruce: “temos aqui a pessoa que está separada de Deus batendo, o que se desviou de Deus buscando e a criança que está em casa pedindo; todos são igualmente atendidos”.[5] Além disso, essas três expressões nos ensina a disposição amorosa de Deus e o amor paternal de Deus de nos atender nossas orações. Portanto, devemos confiar no amor paternal de Deus, pois Ele é o nosso Pai.

 

Sidney Muniz

 



[1] A certeza da oração atendida – Charles Spurgeon

[2] Comentário Bíblico de Matthew Henry

[3] Heróis da fé – vinte homens extraordinários que incendiaram o mundo

[4] Comentário Bíblico Beacon

[5] Comentário Bíblico NVI – Antigo e Novo Testamento – F.F. Bruce


domingo, 28 de junho de 2020

A Oração de Paulo pelas Igrejas




O apóstolo Paulo foi um grande plantador de igrejas, combateu os falsos mestres que assolavam as igrejas, ensinava e escreveu cartas que ajudava as comunidades em seus problemas locais. Olhando para as cartas enviadas as igrejas, percebemos o amor que ele nutria por elas, isso fica evidente na forma como ele orava.

Nesse texto, queremos fazer uma síntese de suas orações por Éfeso, Filipenses e Colossenses. Como podemos aplicar os pedidos de Paulo em nossas intercessões.

Oração pela igreja de Éfeso

(Efésios 1.16-23)

Paulo começa primeiramente agradecendo a Deus em sua oração a igreja de Éfeso. Aqueles cristãos haviam depositado sua fé em Cristo Jesus e amor de uns para com os outros (Ef 1.15,16). Em seguida, ele apresenta os conteúdos que compõem sua oração.

Primeiro, que Deus dê entendimento espiritual. Paulo ao pedir a Deus que concedesse aos de Éfeso “espírito de sabedoria” e “revelação no pleno conhecimento sobre Deus”, era justamente porque as verdades espirituais podem ser apenas discernidas espiritualmente, somente o Espirito Santo confere esse entendimento (1Co 2.9-16). O próprio Jesus disse: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus” (Jo 3.5). Em resumo, aqueles irmãos mesmo sendo selados pelo Espírito Santo, precisariam da sabedoria e de conhecimento para terem uma vida cristã autentica.

Segundo, os benefícios do seu pedido. Paulo ao orar por entendimento espiritual para que a comunidade de Éfeso compreendesse a esperança do seu chamado. Essa esperança não depende de obras humanas, mas inteiramente da graça de Deus que nos escolheu antes da fundação do mundo (Ef 1.4,5). Além do mais, para que eles conhecessem o poder de Deus. Eles deveriam entender que a sua disposição estava o mesmo poder que ressuscitou Cristo dentre os mortos, Jesus venceu todos os principados e potestades. Segundo Wiersbe, “o povo de Deus não luta por vitória, mas de uma posição de vitória. Estamos sentados com ele nos lugares celestiais em que há poder, paz e vitória”[1]. Assim, Paulo orava pelo bem espiritual daqueles irmãos.

Oração pela igreja de Colossos

(Colossenses 1.9-12)

Paulo a semelhança de Éfeso, agradece os irmãos de Colossenses por depositarem sua fé em Jesus Cristo e o amor para com os irmãos. Aqueles irmãos tinham sidos instruídos por Epafras, ao qual Paulo agradece nessa epístola (Cl 1.3,4,7). Agora vejamos os conteúdos que compõem a oração do apóstolo por essa igreja.

Primeiro, Paulo ora pelo crescimento deles. Porque Paulo orou pelo crescimento deles? Justamente porque eles estavam sendo atacados por falsos mestres que ensinavam os seus seguidores alcançarem uma plenitude mística, o apóstolo refuta tal ideia que “o crente em Cristo é pleno” (Cl 2.9,10). O pedido de Paulo nessa oração, mostra que a vida cristã é contínuo crescimento e desenvolvimento diário, é uma experiência pessoal com Cristo, não apenas a aceitação de um conjunto de doutrinas.

Segundo, os resultados do seu pedido. Primeiro, Paulo ora para que possam conhecer a vontade de Deus. Segundo, que possam andar de forma a agradar a Deus. Terceiro, que trabalhassem para frutificarem. Quarto, que compreendam melhor a palavra. Quinto, que conheçam o poder glorioso de Deus. Assim, eles encontrariam essas bênçãos apenas na pessoa de Cristo e não nas falsas promessas heréticas dos pregadores da época.

Oração pela igreja de Filipenses

(Fp 1.9-11)

Paulo ao escrever esta epístola aos Filipenses, agradece eles fazendo sempre, com alegria, súplicas por todos eles, em todas as suas orações (Fp 1.4). Vale observamos a estrutura da sua oração nessa carta.

Primeiramente, Paulo ora que o amor desses irmãos aumente mais e mais. O amor que o apóstolo está se referindo é de amar uns aos outros (Vv 9). Escrevendo a igreja de Roma, ele disse: “A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros” (Rm 13.8). Na parte “mais e mais”, Paulo estava pedindo que o amor deles tivessem progresso, mas essa não era a única preocupação do apóstolo. Esse amor tinha que crescer em “conhecimento” para que o cristão fosse completo, esse conhecimento dariam a eles habilidade de colocar em prática os princípios da palavra de Deus em situações particulares. Dessa forma, podemos aprender que o amor não é desprovido de conhecimento, o amor não segue a ignorância.

Segundo, o propósito da petição. O pedido de Paulo era que “provasse as coisas excelentes” (Vv 10). Segundo Beacon, o termo excelente “indica superioridade, o melhor entre coisas que são boas, o qual só os de maturidade espiritual mais adiantada conseguem descobrir a superioridade[2]”. Além do mais, pediu para eles tivessem sinceridade e fossem inculpáveis (Vv 10). A sinceridade se refere aquelas pessoas que podem ser examinadas sob a luz mais clara e mais forte, sem revelar uma única falha ou imperfeição segundo Beacon. Inculpável descreve uma pessoa de caráter que anda sem tropeçar e que vencem os obstáculos até mesmo os inesperados. Portanto, o alvo dessa oração de Paulo era que eles fossem cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus (Vv 11).

Conclusão

A oração de Paulo pelas igrejas tem muito a nos ensinar sobre a intercessão. Ele orava a Deus pedindo espírito de sabedoria e conhecimento; iluminação espiritual; que o amor dos irmãos aumentasse mais e mais em conhecimento; crescimento espiritual e frutos de justiça. Tudo isso para que eles tivessem uma vida cristã autêntica e desfrutasse da presença de Deus em suas vidas. Com os pedidos dessa oração, podemos aplicar na igreja, família, amigos, vizinhos, novos convertidos , etc. Dessa forma, querido leitor, aplique cada um desses pedidos de Paulo na sua oração quando for interceder por alguém.   

 

Sidney Muniz

 

Notas:



[1] Comentário de Warren W. Wiersber

[2] Comentário Bíblico Beacon


sábado, 6 de junho de 2020

A Intercessão da Igreja Primitiva a favor de Pedro




Em Atos 12 registra que a igreja primitiva enfrentava uma grande perseguição por causa do Evangelho. O texto destaca que dois homens foram alvos dessa perseguição, Tiago e Pedro. O rei Herodes ocasionou tudo isso, inclusive mandava prender alguns com objetivo de maltratá-los, fez passar ao fio da espada Tiago, irmão de João (At 12.1-2). Os judeus gostaram da atitude de Herodes, o rei prosseguiu nisso e prendeu também o apóstolo Pedro. Quando a igreja recebe a informação que Pedro estava preso, passa a orar incessantemente a favor dele (At 12.5). Portanto, nesse texto analisaremos a oração dessa igreja a favor de Pedro.

Pedro na prisão

Tendo-o feito prender, lançou-o no cárcere, entregando-o a quatro escoltas de quatro soldados cada uma, para o guardarem, tencionando apresentá-lo ao povo depois da Páscoa (At 12.4).

Pedro foi lançado na prisão por ordem de Herodes, pois isso era uma atitude que agradava os judeus. Em nenhuma parte do texto encontramos Pedro murmurando ou com medo da morte. Então, como ele poderia ter paz sabendo que estava prestes a morrer? A resposta encontra-se em João (21.18,19), Jesus deixou claro que Pedro morreria velho e na cruz, não pela espada como Tiago (Vv 2).

Pedro confiou na promessa de Cristo, precisamos confiar semelhantemente nelas, pois Deus estabeleceu em sua palavra várias promessas para o nosso conforto em tempos de tribulações. Como disse William Spurstowe sobre meditar nas promessas de Deus:

“O boticário não infunde nenhuma virtude às ervas, mas as destila e extrai delas tudo quanto é eficaz e proveitoso. A abelha não incute nenhuma doçura à flor, mas suga pela diligência o mel latente nela. A meditação não transmite nada de valor à promessa, mas lhe extrai a doçura e lhe descobre a beleza, pois, doutro modo, pouco se lhe poderia fazer ou tirar proveito”.[1]

Assim, fica evidente o valor de meditarmos nas promessas de Deus. Aplique textos como Mateus 28.19, Isaias 43.1-5, João 14 que falam sobre as promessas do Espírito Santo, são ótimos textos para meditar e renovar nossa fé em Cristo.

Pedro liberto da prisão

Quando Herodes estava para apresentá-lo, naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, acorrentado com duas cadeias, e sentinelas à porta guardavam o cárcere.
Eis, porém, que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão; e, tocando ele o lado de Pedro, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa! Então, as cadeias caíram-lhe das mãos (At 12.6,7).

Enquanto Pedro dormia entre os soldados, o anjo do Senhor apareceu e o libertou da prisão. Tudo isso aconteceu, devido a oração incessante da igreja a favor dele (At 12.5). Segundo Wiersbe, “não devemos nunca subestimar o poder de uma igreja que ora. Os crentes oraram de forma incessante, decisiva e corajosa. Deus honrou as orações deles e trouxe glória para si mesmo, apesar da descrença deles quando Pedro apareceu”.[2]

Semelhantemente, devemos orar pelos missionários que estão ministrando a palavra de Deus onde o Evangelho é proibido. Cada um deles necessitam das nossas orações, por mais que não tenhamos condições de ajudá-los financeiramente, podemos fazer isso com as nossas orações. Portanto, ore por eles!

O juízo de Deus sobre os inimigos do Evangelho

Em dia designado, Herodes, vestido de trajo real, assentado no trono, dirigiu-lhes a palavra; e o povo clamava: É voz de um deus, e não de homem! No mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glória a Deus; e, comido de vermes, expirou (At 12.21-23).

Deus executará seu juízo sobre os inimigos do Evangelho. Herodes é um exemplo disso, “que morreu no ano 44. Deus, zela pela sua glória que a Ele pertence, pune o homem vaidoso”.[3] Herodes tinha assinado Tiago e pretendia matar Pedro, mas Deus o puniu por seus atos pecaminosos de adoração blasfema e por não reconhecer a soberania de Deus.

Nada pode deter o avanço do Evangelho, apesar das perseguições que se levantaram contra a igreja de Cristo, a Palavra de Deus crescia e se multiplicava (At 12.24). Jesus disse para os seus discípulos que as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja (Mt 16.18). Logo, o trabalho da igreja em divulgar o Evangelho irá sempre progredir mesmo diante das oposições e Deus um dia punirá os seus inimigos.

Conclusão

A oração da igreja primitiva a favor de Pedro pode nos ensinar muitos princípios práticos para a vida cristã quanto a oração. Primeiro, devemos sempre orar por aqueles que estão sendo perseguidos por causa do Evangelho em países onde o nome de Cristo não pode ser anunciado. Segundo, Deus ouve as orações da sua igreja quando ela se dispõe a orar incessantemente por seus ministros em tempos de aflições. Terceiro, nada pode impedir o avanço do Evangelho, se queremos que ele alcance mais pessoas é necessário orar, era isso que igreja primitiva fazia. Portanto, tenha uma vida de oração, porque dela dependa a sua vida cristã. Muitas vidas precisam ser alcançadas por meio da palavra de Deus, e a oração é imprescindível nisso, ore para que o Reino de Deus continue avançando no mundo. 

 

Sidney Muniz


Notas:



[1] Igreja Puritana Reformada em São Paulo

[2] Comentário de Warren W. Wiersbe

[3] Bíblia de Estudo Shedd


segunda-feira, 4 de maio de 2020

A oração e escolha de Ministros na Igreja Primitiva




A igreja primitiva era uma comunidade de oração, eles não faziam nada sem primeiro consultar a Deus em oração. Lucas quando escreveu os livro de Atos, registrou as escolhas que aquela igreja fazia para nomear os seus ministros, tudo era feito com muita oração e jejum. Isso tinha perfeita ligação com os ensinos de Cristo, tudo que Jesus fazia era com base na oração.

Diante disso, queremos analisar três passagens que Lucas registra sobre essas escolhas de obreiros para a obra do Senhor, tendo como base a oração.

Jesus e a escolha dos apóstolos

Lucas no seu Evangelho registrou que Jesus para escolher doze apóstolos, saiu para o monte com o objetivo de orar, ele passou a noite orando a Deus (Lc 6.12). Depois de orar, Lucas descreve: “E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos” (Lc 6.13). Fica claro por meio disso que, Jesus escolheu seus apóstolos após falar com Deus em oração. Segundo Shedd, “Jesus passou a noite orando em preparação para a escolha dos discípulos que formariam os alicerces da igreja (Ef 2.20). Quanto mais imperativo seria para os imperfeitos filhos de Deus, buscarem eles a face do Senhor para conhecer e efetuar Sua vontade”[1]. Dessa forma, Jesus escolheu com base na oração aqueles que foram o alicerces da sua igreja, os discípulos.

A escolha de Matias

Os discípulos seguiram o mesmo pensamento de Jesus para nomear um apóstolo no lugar de Judas Iscariotes. Pedro fez um discurso sobre a morte de Judas diante de umas cento e vinte pessoas. Nesse discurso, ele falou que essa morte era um cumprimento de uma profecia de Davi (At 1.16); Judas antes pertencia ao ministério (At 1.17); mencionou modo como Judas morreu (At 1.18). Depois disso, dois homens são eleitos para ocupar o lugar de Judas. José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias (At 1.23). Então, os discípulos oraram:

“Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar (At 1.24,25).

Após essa oração, lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos (At 1.26). Sortes são mencionadas no Antigo Testamento como uma maneira de averiguar a vontade de Deus (Ex 28.20). Logo, Pedro e os discípulos reconheciam que sua responsabilidade e escolha humana de um homem para suceder a Judas ocorriam dentro dos limites da soberana vontade de Deus[2].

A escolha dos diáconos

Em Atos 6 temos a nomeação de diáconos para servir as mesas. Isso aconteceu devido a certa murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária (At 6.1). Os apóstolos responderam que não era razoável abandonar a palavra para servir às mesas. Então, eles convocaram a comunidade para nomear diáconos, sete homens deveria ser escolhido para o cargo, homens de boa reputação, cheiro do Espírito Santo e de sabedoria (At 6.3). A comunidade elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.  

Em seguida, a igreja selecionou com base nos requesitos dados pelos apóstolos, “estes orando, lhes impuseram as mãos” (At 6.6). Conforme McArthut, “esta primeira ocasião, no Novo Testamento da imposição de mãos significativa a identificação e afirmação da igreja com estes homens, e com o apoio do seu ministério. Ancião, diáconos e todos os que serviam na igreja primitiva foram ordenados desta forma” (At 13.3; 1Tm 4.14; 5.22; 2Tm 1.6)[3]. Assim, diante de um problema que aquela igreja estava enfrentando e que ameaçava o ministério da palavra, a oração foi uma solução determinante.

A escolha de Paulo e Barnabé

Paulo e Barnabé pertenciam a igreja de Antioquia, uma igreja de profetas e mestres. Nesse lugar, eles serviam a Deus e jejuavam, até que o Espírito Santo disse: “Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2). A escolha desses homens para a obra missionária aconteceu devido a ação do Espírito Santo e a oração, Lucas relata: “Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram” (At 13.3). Três verdades podem ser destacada nesse trecho: (1) Deus chama os que escolhe; (2) a igreja confirma o chamado; (3) a igreja e o Espírito Santo enviam os missionários e os apoiam com oração e auxilio[4].

Paulo trabalhava fortemente em plantações de igrejas, em cada igreja, a eleição de presbíteros, depois de orar com jejuns (At 14.23). Esta era uma característica idêntica à da separação que os dois tiveram para o desempenho de seu trabalho missionário (At 13.3)[5]. Portanto, jamais presbíteros eram elegidos sem oração e jejum, esses obreiros eram apresentados a Deus, por isso Paulo era bem sucedido em suas obras missionárias.

Conclusão

A oração era muito presente na vida da igreja primitiva, eles oravam em qualquer situação. Semelhantemente, devemos orar pedindo a direção dEle em nossas escolhas. Diante das adversidades, pedir que Ele nos dê sabedoria para resolvermos os problemas e saber lidar com ele. Fazer que nossas orações sejam acompanhadas de jejuns, para que assim possamos ter uma comunhão mais intima com Deus, e entender que jamais possamos fazer a obra de Deus sem esses dois elementos.   


Sidney Muniz

Notas:


[1] Bíblia de Estudo Shedd
[2] Bíblia de Estudo de Genebra
[3] Comentário John McArthur – NT
[4] Comentário de Warren W. Wiersbe Conciso
[5] Comentário Bíblico Beacon